December 21st, 2010

rosas

madrid

Estive em Madrid pouco mais de 48 horas. Muito pouco, é evidente, para visitar uma cidade que não se conhece, mas a vantagem é mesmo essa: quando não se conhece nada, qualquer coisa já é um progresso. Claro que grande parte do tempo foi passado a passear pelas ruas e a visitar os locais mais conhecidos. Adorei a atmosfera da cidade, o haver sempre tanta gente nas ruas, a todas as horas, gostei dos restaurantes e dos cafés baratos, onde se tapeia no meio da confusão geral.

Assim à laia de inventário, na Sexta, logo à chegada e depois de deixar a mala do Hotel Ganivet na Calle Toledo, almocei no café da Ópera, mesmo atrás do Teatro Real, passeei pela Praça do Oriente, pelo Palácio Real, jardins Sabatini e pela catedral de Almudena. Depois, pela Calle Mayor, com paragem na Plaza de la Villa e no Mercado de San Miguel, até à Plaza Mayor, cheia de atmosfera natalícia. Pela Calle de Postas até às Puertas del Sol, e Calle Alcalá. Plaza del Carmen, para ver o Ballet Flamenco de Madrid, e jantar num bar na Plaza Sta. Ana.

No Domingo fui à estação antiga de Atocha, ao Centro de Arte Reina Sofia e ao Prado. Almocei na Taberna Andújar (Calle de Alfonso XI) e fui passear para o Retiro. Depois fui à Plaza de España, desci a Gran Via até aos Preciados e fui à Calle do Arenal. Estava à espera à porta de uma loja, nesta rua, quando reparei que no prédio em frente, no primeiro andar, ficava um clube de xadrez, e lembrei-me logo que poderia ser o mesmo que aparece no romance A Tábua de Flandres, de Arturo Pérez-Reverte, que li o ano passado. Depois fui comer churros com chocolate na chocolateria que fica atrás da igreja de San Gines. Dei um salto ao princípio do passeio da Castellana, e fui para a Praça Tirso de Molina ver o musical Avenue Q. Jantei num café na Calle Toledo, o Onis. No Domingo só deu tempo para dar uma volta no Rastro e fui para o aeroporto.

Claro que as idas aos museus foram muito cirúrgicas, para ver coisas bem definidas. Apesar de não ser muito preso à obrigação de visitar as grandes obras nos grandes museus, impressionou-me a Guernica, no Reina Sofia, e gostei de ver, entre Dalis e Mirós, um quadro que descobri há muito pouco tempo, mas que positivamente me encanta, Pareja en la Playa, de José de Togores. E I Saw it in Bologna, uma peça incrível, como sempre, de Juan Muñoz. No Prado foi um ver se te avias para ver os Goyas, o Velázquez e o El Greco. E ainda deu para descobrir as enormes e poderosas telas de José de Ribera.

Quanto aos espectáculos, vi o Ballet Flamenco de Madrid, de que gostei imenso. Nunca tinha prestado grande atenção ao flamenco, nunca me entusiasmou muito, mas o bailado impressionou-me. Quanto ao musical, fui ver o divertido Avenue Q, que mistura actores de carne e osso com fantoches, inspirados nos bonecos da Rua Sésamo, e com a particularidade de estarmos a ver os actores que manipulam os bonecos e lhes dão voz. Dentro do tom soft dos musicais, aborda questões interessantes, nomeadamente a homossexualidade e o racismo, e o texto está cheio de palavrões, o que é interessante.


Em vez de meter aqui uma lista enorme de fotos, fiz um clipzinho no YouTube com algumas das fotografias que tirei, verdadeiros weekend snapshots from another city, e juntei-lhes uma canção do Brian Eno, This. Claro que a música não tem nada a ver com as fotos, mas a ideia é mesmo essa.