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and now the evening news
rosas
innersmile
Passei dois dias em Madrid. Fui na sexta-feira de manhã, e regressei hoje ao princípio da tarde. Adorei a cidade, que é uma jóia de arquitectura, e tem um andamento danado. A ver se um dia destes tomo umas notas do que vi e por onde andei, e lhes junto umas fotos, para pôr aqui.

Cheguei a casa ao princípio da noite, e fiquei logo desanimado. E não tanto pela estadia madrilena me ter sabido a pouco e ter agora perspectiva de voltar ao trabalho amanhã. É a minha situação familiar que me desanima. Eu afasto-me um bocadinho e consigo esquecer-me, sem todavia deixar de me preocupar, com esta sensação de fim. Mas depois regresso e há uma fragilidade que me deixa desamparado. E, não tenhamos medo das palavras, uma degradação crescente, e a vários níveis. E o pior é que reajo mal, parece que nunca estou preparado.

Fiquei triste com a notícia da morte do Blake Edwards. Alguns dos filmes mais divertidos que vi foram realizados por ele, e nesse grupo nem estou a incluir os filmes da pantera Cor-de-Rosa, com o Peter Sellers a fazer de Clouseau. Mas há, é claro, a deslumbrante Holly Golightly de Breakfast At Tiffanys, há o Victor/Victoria, que foi um filme que eu amei quando saiu, e que continua a ser um filme de que gosto com muito carinho. Há um quase desconhecido SOB, feito em princípios de 80, ou mesmo ainda em finais de 70, e que era uma espécie de auto-biografia satírica. Julie Andrews, que era a mulher de Edwards, entrava no filme a gozar com a sua persona cinematográfica, e o filme ficou famoso porque a ingénua actriz dos clássicos da ingenuidade, mostrava as mamas. E mostrava-as de propósito, não numa cena de nu contextualizada.

Enquanto estive em Madrid vi na tv do hotel que ontem foi inaugurada mais uma linha do TGV espanhol, ligando Madrid a Valência. Neste momento, se não estou em erro, já estão ligadas por comboio de alta velocidade as quatro principais cidades espanholas, e, é claro, as inúmeras outras que fazem parte do percurso. Nós perdemos, em discussões estéreis e de baixa política, a oportunidade de fazer parte da rede ferroviária europeia de alta velocidade, e de estarmos ligados através dessa poderosa ligação quase orgânica que é o comboio, às grandes cidades espanholas. Desperdiçámos a chance de assegurar que a ligação de Madrid com a Galiza passasse por Portugal. De facto, nós não conseguimos, não somos capazes. Ponto final.

Ainda num telejornal espanhol vi que o senado norte-americano finalmente revogou a infame lei conhecida por ‘don´t ask don´t tell’, que impedia que os membros das forças armadas norte-americanas assumissem a sua identidade em termos de orientação sexual. O pretexto inicial desta lei, se bem me lembro, era impedir que a hierarquia militar inquirisse directamente os membros da forças armadas acerca da sua sexualidade, mas a lei, na prática, sempre se revelou um instrumento persecutório e uma enorme barreira de silêncio e medo que anatematizava os militares homossexuais. O fim desta lei é, portanto e sem dúvidas, uma boa notícia para todos e particularmente para aqueles que acham que ninguém deve ser descriminado, legal ou mesmo socialmente, por uma característica da sua identidade que escapa ao seu controlo.