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the last station
rosas
innersmile
Fui ver, no passado fim-de-semana, The Last Station, um filme de que me lembrava por ter dado duas nomeções aos Oscars deste ano, para Christopher Plummer (secundário, vá-se lá perceber porquê) e para a sempre galvanizante (a palavra era 'mesmerizing') Helen Mirren. O filme é realizado por Christopher Hoffman, também autor do argumento adaptado, e é verdade que neste departamento o filme é muito académico, mestrado em cinema inglês, variante Merchant-Ivory. Mas o facto é que esta fórmula reconstituição exímia, mais desempenhos excelentes, mais diálogos bem escritos, é (quase) sempre vencedora. Plummer e Mirren estão de facto soberbos, mais contido ele, mais exuberante ela; e se há momentos em que podemos pensar que Mirren se excede um pouco nos seus frenéticos ataques de fúria, toda a sequência final, depois da sua chegada à estação de Astapovo, é uma lição de como ser a grand dame do cinema inglês.

O filme conta a história dos últimos dias da vida de Leon (ou Lev) Tosltoi, e da sua decisão de, pressionado pelas divergências cada vez mais veementes entre os admiradores e a mulher, decide, literalmente, fugir de casa. O contraponto à relação tumultuosa entre os dois protagonistas é dada pela história da relação entre o seu jovem, e virgem, secretário e uma das discipulas do movimento tolstoiano, que, digamos, sabe bem o que quer. O filme passa-se na idílica paisagem de Yasnaya Polyana, que, para este efeito, é um pouco evocativo do ruralismo inglês dos filmes, lá está, de Merchant-Ivory.

Como referi, Tolstoi, já octogenário e farto das querelas com a mulher, decide fugir de casa. Não foi longe. No comboio onde viajava, a sua saúde deteriorou-se, e teve de ser desembarcado na estação de Astapovo. Ficou acamado na casa do chefe da estação, onde acabou por morrer. O poeta brasileiro Mário Quintana escreveu um belíssimo POEMA DA GARE DE ASTOPOVO, onde evoca a morte de Tolstoi. Já aqui tinha transcirto esse poema, de modo que agora decidi gravar um clipzinho de video a dizê-lo.



Decidi também pôr um clip do YouTube com imagens reais de Lev Tolstoi em Yasnaya Polyana, que fazem um bom complemento ao filme, já que neste temos oportunidade de ver a equipa de fotógrafos e operadores de câmara que seguiam Tlstoi para todo o lado, documentando assim a vida daquele acerca de quem já em vida o mundo não tinha dúvidas de que era o maior romancista de sempre.

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