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herbie hancock na casa da música
rosas
innersmile
O concerto de Herbie Hancock, ontem na Casa da Música, foi dos melhores a que tive a felicidade de assistir em toda a minha vida. É fantástico, um tipo ir para um concerto com as expectativas todas lá em cima, e elas serem, mais do que suplantadas, completamente pulverizadas. Parecia o tornado da Sertã! A CdM estava ao rubro, e houve momentos do concerto em que se alguém acendesse uma chama, aquilo ia tudo pelos ares: a Casa, a rotunda da Boavista, enfim toda aquela zona entre a Galiza e Coimbra (sim, eu queria estar lá).

Apresentando temas do seu mais recente disco, intercalados com clássicos do seu reportório, HH contou com a participação dos seguintes músicos (e é importante registar aqui os seus nomes, não só para memória futura, mas até para memória presente, e mesmo passada): Trevor Lawrence Jr e James Genus em bateria e baixo respectivamente, uma secção rítmica furiosa, Lionel Loueke na guitarra, um génio, Greg Phillinganes nos teclados, que funciona um pouco como sidekick de HH (e aqui um pouco quer dizer muito), e Kristina Train na voz e violino. Lionel e sobretudo Greg ajudavam (e de que maneira, no caso de Greg) nas vozes. O Herbie Hancock é uma presença incrível em palco: ora concentrado, quando tocava, ora divertido e solto, quando dirigia, sempre simpático, comunicador. É daqueles casos em que um tipo é tão grande, mas tão grande, que não precisa de afirmar estatuto.

Mas se a presença do Herbie Hancock em palco é poderosa, a música, deuses, a música foi uma coisa de verdadeiro assombro. Ouvi, pela primeira vez na vida, Canteloupe Island ser tocada ao vivo, e foi uma coisa sublime, acho que foi a melhor versão que ouvi da canção. Ok, admito que haja melhores, mas o privilégio, a magia, de a estar a ver ser tocada ao vivo, e a um nível tão superior, é daquelas coisas que um tipo não esquece. Eu estava a ouvir a música e a pedir depressa, baixinho e com força, a deus que fizesse aquele momento perdurar para sempre. O encore foi, inevitavelmente, ao som de Chameleon, que começa a soar com o Herbie Hancock ainda fora de palco. No fim, os músicos ainda estiveram à boca de cena, a gradecer os aplausos e a dançar, sim, a dançar e a fazer a festa, ao som de Rockit (que foi a primeira canção do HH de que me lembro de ouvir, lá nos idos anos oitentas, e que me fez ir atrás do nome e descobrir que era ele o autor do genérico do programa de rádio Pão CoManteiga, precisamente os acordes iniciais do Chameleon).

Eu sei que este texto está um bocado exagerado, mas, caramba, quando saí da CdM sentia-me em extâse absoluto, tão impregnado de energia musical que parecia que tinha estado aquelas duas horas e quase meia ligado lá a um dos amplificadores do palco, e aqueles sons todos a passarem electricamente pelo meu corpo.


Edit: de acordo com o site Tribo da Luz (link), foi este o alinhamento do concerto de ontem:
- Actual Proof
- Imagine
- 17/s Watermelon Man
- Don’t Give Up
- Tamatant /Exodus
- Court And Spark
- Maiden Voyage
- Dolphin Dance
- Round Midnite
- Speak Like A Child
- Canteloupe Island
- Times Are A Changing
- Change Is Gonna Come
- Space Captain
- Chameleon
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