December 7th, 2010

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galãs

Leio, nas edições on-line dos jornais, que faleceu o actor Virgílio Teixeira. Para quem não sabe, foi um galã do período aúreo do cinema português, e dos pucos actores nacionais a ter alguma coisa parecida com uma carreira internacional: ocasionais filmes em Hollywood (contracenou, em outros, com Sophia Loren ou com Yull Breyner), e, sobretudo nos anos 50, uma presença regular no cinema espanhol. Nos anos 80 ainda apareceu nos ecrãs televisivos, mas já estava, nessa altura, sediado na Madeira, e tinha outros interesses em termos de intervenção pública. 'Fado, História de Uma Cantadeira', em que contracenou com Amália Rodrigues, é talvez o mais conhecido e popular dos seus filmes, cuja eficácia muito deve ao seu trabalho.

Mas se aqui trago Virgílio Teixeira é porque foi um daqueles nomes de que desde pequeno sempre me habituei a ouvir falar. Era, como comecei por referir, um dos galãs mais populares do cinema numa altura, anos 40, em que a minha mãe e as minhas tias eram adolescentes, e cumpriam à risca o programa: viam os filmes, coleccionavam as fotos, escreviam cartas, pediam autógrafos. Naturalmente que já as conheci mulheres adultas, mas sem nunca perderem aquela adulação, muito lúdica, feita de entusiasmo teenager e de malandrice feminina, pelos heróis do cinema do seu tempo. E entre os dois ou três nomes maiores (cada uma das irmãs tinha o seu preferido), o de Virgílio Teixeira brilhava. Ainda hoje, nas raríssimas ocasiões em que se juntam as três, e quando a conversa descaí para esse lado, parecem três raparigas alegres e entusiasmadas a falar das aventuras adolescentes e, é claro, dos ídolos do cinema.