November 27th, 2010

rosas

at the indie disco

Como sou um bocado supersticioso (sim, como é que um tipo que tem a mania que é racional pode ser supersticioso, mas pronto), não costumo falar aqui sobre as coisas que vou ver, concertos ou outros espectáculos ou eventos. Prefiro esperar que eles passem e depois então escrever sobre eles. Para além de não ver grande interesse naquela cena do "ah, amanhã vou ver o JC e os 12 Apóstolos ao Pavilhão Atlântico", a verdade é que tenho mesmo medo de agoirar, pôr-me aqui a 'basofiar' sobre os eventos a que planeio assistir e depois eles serem cancelados porque o cantor torceu a unha do pé ou o prima ballerina está grávida de quadrigémeos.

Tudo isto para me justificar que é preciso uma boa razão (e espero sinceramente que isto não dê azar) para vir aqui escrever que amanhã conto assistir um concerto dos The Divine Comedy. Vai ser o meu segundo concerto da banda, o primeiro foi aqui há uns anitos valentes quando eles vieram a uma noite da queima das fitas, ainda os concertos eram no parque de estacionamento que fica ao fundo do parque da cidade. Foi o único concerto da queima a que fui nos últimos, sei lá, trinta anos, mas foi uma noite em glória, pois além dos DC, ainda vi os Tédio Boys e, tcharam, o meu primeiro concerto dos Belle Chase Hotel. Uma noite memorável, de facto.

Mas a razão para vir aqui assumir que amanhã conto ir ver os The Divine Comedy ao vivo, e assim sujeitar-me a despertar aquela crueldadezinha sádica que os deuses sempre reservam, em mini-doses, para os palermas como eu, é que, como treino para o dia de amanhã, tenho estado a ouvir o último disco do grupo, Bang Goes The Knighthood. Claro que já todos sabemos que o Neil Hannon é um génio a criar canções pop perfeitas. A melodia das canções é sempre (ou quase sempre, enfim) surpreendentemente simples, e as letras são os poemas pop mais perfeitos que algumas vezes já se escreverem, e não me estou a esquecer de nenhum dos grandes compositores da música popular – ok, posso estar a esquecer-me de dois ou três, em todo o caso não serão mais de meia-dúzia os compositores que escreveram as letras das canções e que partilham com o Neil Hannon o panteão das perfect lyrics. E ainda por cima o tipo tem um humor fantástico de modo que há em todas as canções uma camadinha de ironia que as torna irresistivelmente fabulosas.

E tudo isto para ter um pretexto para pôr aqui uma dessas cançõezinhas pop perfeitas dos The Divine Comedy, e que eu, se não incomodei nenhum deus menor com este desafio ao futuro, conto ouvir amanhã ao vivo. A seguir ao clip vai a imprescindível letra. Caramba, tem de ser um génio, com FG grande, o tipo que se lembra de pôr numa canção estes versos: "She makes my heart beat the same way, As at the start of Blue Monday".



We go down to the indie disco every Thursday night
Dance to our favourite indie hits until the morning light
At the indie disco, the indie disco, at the indie disco yeah

We’ve got a table in the corner that is always ours
Under the poster of Morrissey with a bunch of flowers
We drink and talk about stupid stuff
Then hit the floor for Tainted love
You know I just can’t get enough
At the indie disco, the indie disco, at the indie disco yeah

Give us some Pixies and some Roses and some Valentines
Give us some Blur, and some Cure, and some Wannadies
And now we’re moving to the beat
And staring at each other’s feet
I wonder if she fancies me
At the indie disco, the indie disco, at the indie disco yeah

And when it’s over and I’m freezing on the night bus home
I think of her and I sing the words to my favourite song
She makes my heart beat the same way
As at the start of Blue Monday
Always the last song that they play
At the indie disco, the indie disco, at the indie disco yeah yeah yeah...
At the indie disco... the indie disco... at the indie disco yeah