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E agora para um breve momento de auto-comprazimento. O Público noticia hoje que a Lonely Planet vai lançar um guia, intitulado "Lonely Planet's Best in Travel 2011", que coloca a livraria Lello (link), no Porto, como a terceira livraria mais bonita do mundo. E é-o, de facto, um prodígio de arte nova, com uma escadaria surpreendente e vertiginosa. Já não entro lá há uns anos valentes, para aí desde meados dos anos 90, uma fase da minha vida em que eu ia bastantes vezes ao Porto.

Mas a notícia do Público, para além de destacar a Lello, refere igualmente as restantes livrarias classificadas no top, num total de dez. Agora, o auto-comprazimento vem do facto de eu já ter estado nas livrarias classificadas nos quatro primeiros lugares.

Em primeiro está a City Lights Books (link), em São Francisco, na Columbus Avenue, uma diagonal imensa que atravessa a parte baixa da cidade, desde Fisherman’s Wharf, onde era o hotel onde fiquei instalado, até à zona do Finance District. Eu estive em São Francisco em 1994, numa viagem de estudos que correu algumas cidades norte-americanas. Visitei a City Lights num dia em que me desenfiei das visitas profissionais para poder ir a Castro.

Em seguindo lugar fica a Ateneu (link), em Buenos Aires, na Calle Santa Fe, que visitei em 2004. É na minha opinião, a livraria mais bonita do mundo, instalado no site de um antigo teatro (hence the name), cheia de lustres e dourados. Vou pôr umas fotos ‘to prove it’, apesar de serem fraquinhas, é o que há. Mas o aspecto mais bonito da Ateneu, mais do que a cafetaria em pleno palco do teatro, e onde comi uma medialuna, eram as mesinhas espalhadas ao longo da livraria, onde grupos de pessoas, aos pares e trios, conversavam animadamente por entre pilhas de livros. Gostei tanto da livraria e da Calle Santa Fé, que escrevi um conto inspirado nessa rua.

Depois da Lello, outra livraria que visitei, a Shakespeare and Co (link), em Paris. Não me lembro do nome da rua, mas ficava junto ao Sena, na rive gauche, ao pé da Ile de la Cité. Lembro-me que ficava muito perto do hotel onde fiquei instalado, junto à Saint Michel, e por isso passava à porta muitas vezes. Assim de cabeça não me lembro exactamente em que ano é que estive em Paris, e estou com preguiça de ir procurar, mas há-de ter sido tipo 1994-1996, por aí (fui conferir, 1993, so long ago, credo!)

Mas se são essas as livrarias mais bonitas do mundo, classificação que não contesto, as ‘minhas’ livrarias são, evidentemente, outras. São sobretudo as grandes livrarias londrinas, a Dillons em Gower Street (link), as livrarias de Charing Cross, nomeadamente uma Books, Etc, que depois foi comprada pela Borders, as Waterstones (link) que há espalhadas um pouco por toda a cidade mas lembro-me particularmente de uma em Convents Garden, e a Gay’s The Word (link), em Marchmont Street, ao pé de Russell Sq. Foi nestas livrarias que descobri, sempre em aventuras muito individuais, muitos dos meus livros preferidos, e foi nelas que aprendi a gostar de livros e a formar um certo gosto literário. Mas entre as minhas livrarias do coração, está também a Borders de Eau Claire, Wisconsin (link). Durante os três meses que ali passei, a Borders foi uma espécie de segunda casa: horas a dedilhar as estantes ou a ouvir cd’s, tardes e fins de tarde na cafetaria da livraria, onde fiz muitas refeições, e onde punha em dia a leitura dos grandes jornais e revistas americanas.