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eat pray fuc... ups, love
rosas
innersmile
A razão porque decidi ir ver o filme Eat Pray Love, acerca do qual tinha muito pouca informação, foi o nome do realizador. O Ryan Murphy é autor de duas séries de TV muito populares, uma, Nip/Tuck, de que apenas vi a primeira temporada, e outra de que sou fã incondicional, a Glee. Qualquer das duas destaca-se por ter uma pontinha de subversão daquilo que é o mainstream da narrativa televisiva. O Ryan Murphy foi também autor da adaptação cinematográfica de Running With Scissors, um livro do Augusten Burroughs, que é dos meus escritores favoritos. O filme não era exactamente brilhante, mas menos no sentido de ser um fracasso, e mais naquele de ficar um pouco a meio caminho entre o compromisso com o essencial do livro do Augusten e a necessidade de baixar um pouco o tom provocador e incómodo da história original.

Suponho que Eat Pray Love faça as maravilhas de muitos espectadores, e de muitas espectadoras também, com a sua dose de actualização do common ground cultural deste início de milénio: gastronomia em Roma, espiritualidade na Índia, romance no Bali. Eu confesso que me senti um bocadinho irritado com a postura do filme, com a sua aparente vocação de guia turístico para pessoas que acham que são interessantes e a vida é para ser vivida. Além de que não percebo como é que a Julia Roberts passa um terço do filme a enfardar como uma… enfardadeira, e está sempre elegante. Ou passa uma temporada num ashram na Índia e não apanha nenhuma disenteria. Ou, pior de tudo, como é que conhece no Bali um brasileiro que é uma versão ainda mais cliché do Miguel Sousa Tavares que o próprio MST.

Salva-se a banda sonora (ou não fosse o Ryan Murphy um génio a escolher músicas, matéria de que é feita, no essencial, a Glee), que tem pérolas como o Neil Young, o Eddie Vedder ou o João Gilberto. Mas agora que tenho estado aqui a ouvi-la em repeat, até a banda sonora é um bocadinho irritante, de tão perfeitinha.