October 11th, 2010

rosas

dame joan sutherland

Por razões que não consigo explicar, e que têm tudo a ver com empatia e nada com expertise musical, que é nula, Dame Joan Sutherland era a minha diva da ópera favorita. Talvez fosse o facto de ser australiana, uma origem improvável para uma soprano com uma coloratura dramática. Ou talvez fosse apenas o facto de nem ter assim tanto ar de diva, em muitas fotos parece mesmo uma dona de casa preocupada com a próxima refeição. La Stupenda não era, sendo-o, uma prima-dona, mas era sem dúvida uma Great Dame. Claro que estava afastada do palco há décadas, e por isso nem podemos dizer que o mundo dos melómanos ficou mais pobre com a sua morte, ontem, na Suiça, onde residia. Mas o mundo, ele próprio, ficou com um vibrato a menos.

Escolhi este clip porque, apesar de não ter imagem real e haver muitos clips no YouTube com Joan Sutherland a cantar em palco, é a gravação de uma das minhas árias favoritas, uma das que me pôs a ouvir ópera, a Semper Libera, da Traviata, de G. Verdi. Escolhi-o porque é retirada de uma das mais famosas temporadas da Sutherland, a Sutherland-Williamson, em turné na Austrália, em 1965. A voz do Alfredo é de Luciano Pavarotti, que na altura era um jovem de 30 anos. Mas escolhi-o, também, porque se ouvem as indicações do ponto, e eu acho isso uma delícia, parece que nos transporta, nem sequer para a sala do teatro, mas para as próprias tábuas do palco.