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o nobel para mário
rosas
innersmile
Cheguei há bocadinho a casa, depois de passar o dia enfiado numa sala a ouvir comunicações entediantes (um fórum; a propósito do qual um dos moderadores disse que os fóruns são tão importantes que já havia fóruns na Grécia antiga!), e li na net que o escritor Mário Vargas Llosa ganhou o prémio Nobel da literatura. Apesar de não ser muito impressionável com este tipo de prémios, fico sempre contente quando escritores de quem gosto bastante os ganham.

Li Vargas Llosa, pela primeira vez, há muitos anos, devia ter 20 anos, ou pouco mais. Li dois livros, um deles, Conversa na Catedral, ofereceram-me quando estive internado com hepatite, no pavilhão do serviço de infecciosas que havia no bloco de Celas, nos hospitais da universidade. Foi nessa altura que conheci o Pombinho, que foi meu médico, e de quem fiquei amigo, até à sua morte há poucos anos. Foi uma namorada, a primeira namorada a sério que tive (ou seja a primeira com quem dormi) que me ofereceu o livro, e que me ‘obrigou’ a ler outro do escritor, Tia Júlia e o Escrevinhador. Tenho a impressão de que li o livro em espanhol, mas o que tenho ali na estante é uma edição brasileira, comprada em Dezembro de 85 (dá muito jeito a maneia que tenho de assinar os livros e lhes pôr a data). Tenho um outro livro dele, Lituma nos Andes, que nunca li. Há dois anos li, de empréstimo, As Travessuras da menina Má, um livro f-a-b-u-l-o-s-o (link).

Entretanto, li (no blog Band of Thebes, que é o meu blog favorito, e um dia destes volto a falar dele a propósito de uma biografia de Samuel M. Steward que acaba de ter sido editada) que Vargas Llosa terminou recentemente a escrita de mais um romance, que será publicado brevemente em Espanha. Trata-se de El Sueño del Celta, sobre Roger Casement, um herói da independência irlandesa. Ora, eu escrevi há muitos anos aqui no innersmile sobre o Casement (o link, se alguém estiver interessado, está aqui), um tipo que foi enforcado por traição pelos ingleses (na prisão de Pentonville), e que foi vítima de uma campanha de difamação por ser homossexual.

Fico um bocado perplexo, e mesmo maravilhado, quando estas coisas todas que me seduzem e interessam, parece que estão ligadas (razão tinham os tipos do Pão Com Manteiga, antigamente: isto anda tudo ligado). E mais, quando essas ligações resultam de arcos temporais que tocam épocas muito distintas da minha vida. Claro que isto também deve querer dizer que estou mesmo a ficar um bocado velho.