October 4th, 2010

rosas

360º

Em Coimbra, o fim de semana foi U2.

No Sábado uma experiência inédita: andar a passear pela zona do estádio onde decorria o concerto; de todas as outras vezes estive lá dentro. E enquanto lá dentro decorre o espectáculo, cá fora o circo fica em modo pausa, suspenso, à espera e a preparar-se para daqui a bocadinho. Dei uma volta, fui para casa, abri a janela da cozinha e estive a ouvir o resto do concerto.

Ontem foi a minha vez. Os concertos de estádio têm sempre uma dose acrescida de excitação, não são exactamente aquela coisa de ir só pela música ou só pela celebração. No caso dos U2, a antecipação paga sempre. Foi o terceiro concerto dos U2 a que assisiti: ZOO TV, em Maio de 93, a Pop Mart em Setembro de 97 ( e a mais espectacular t-shirt de um concerto que eu já tive). De todas as vezes o concerto dá-nos sempre mais do que estávamos à espera, e desta vez isso também aconteceu. Acho que o segredo do grupo é conseguir dominar bem toda a engrenagem e toda a indústria dos tours de estádios, conseguir elevar sempre a fasquia das possibilidades que a tecnologia oferece em termos de luz e som, mas ao mesmo tempo conseguir manter a ilusão de que tudo não passa de quatro tipos a tocarem rock'n'roll. Os concertos de estádio dos U2 vivem sempre dessa dicotomia: por um lado embasbacam-nos com o artifício e a megalomania cénica, por outro mantêm-nos sempre ligados à música. Apesar da fórmula resultar sempre, achei que esta parte musical foi menos excitante do que o costume, achei o concerto um bocadinho empastelado. Mas o palco é fabuloso, leve, aberto, transparente, quase inexistente.

Pareceu-me que os elementos da banda estavam sinceramente agradados com o concerto e com esta passagem por Coimbra. Achei o Bono em baixa de forma nítida. Dizem-me, quem viu ambos os concertos, que no Sábado a coisa correu melhor, mas ontem ele estava mesmo nas lonas. Em Magnificent, um tema do último disco, a voz apagou-se mesmo. Mesmo assim, com um Bono bastante mais sossegado do que o costume, houve momentos especiais, e a interpretação vocal em Miss Sarajevo foi um deles. Mas, para mim pelo menos, que sou fã antigo da banda, e já fui mais do que sou hoje, o que é sempre mágico nos U2 é a guitarra do The Edge, são aqueles acordes puros, eléctricos, despidos, quase desamparados, mas que parece sempre que despertam em nós qualquer coisa, que nos põem em movimento. Foi também assim ontem. E, mais do que o feerismo e a energia, é sempre aquilo que no final do concerto trago comigo.