September 24th, 2010

rosas

agora contas

agora contas os dias lentos, na minuciosa quadrícula dos quartos. queima-te a pele a violência dos felizes, e corrói-te o remorso do abismo. falta-te o milagre das dores, o fundo dos teus olhos tem a cor de uma madrugada oca, e um tropel sem nexo sobressalta-te cada hora que não dormes. não há apaziguamento para os que pecaram como tu. salva-te o esquecimento. ou a ácida esperança de que um dia percebas o teu fim.
rosas

consolida, filho, consolida

Então agora que estávamos tão sugaditos, anda tudo a chamar ó tio ó tio? Estes gajos estão todos doidos, ó quê? O Zé Mário, é claro, tinha razão: CABRÕES DOS VINDOUROS.






A gravação tem algumas imprecisões, que me parecem mais irregularidades do vinilo do que propriamente cortes propositados, ou seja censura. Mas esta gravação ao vivo de FMI está disponível numa edição em cd do duplo Ser Solid/t/ário. E a letra apanha-se na net, basta googlar pelo nome do autor e pelo nome do tema e acrescentar lyrics.

Já vi o José Mário Branco várias vezes ao vivo, desde um concerto a solo, até ao concerto com Fausto e o Sérgio Godinho, há menos de um ano, e passando por vários concertos com banda, nomeadamente de apresentação dos trabalhos discográficos. Vi um concerto fabuloso, dos melhores que vi na minha vida, no Gil Vicente de Coimbra, que foi recuperado para o cd Ao Vivo em (Junho de) 1997, e que foi daquelas ocasiões tão especiais e transcendentes, que um tipo no fim até tem vontade de chorar de agradecimento por ter tido a felicidade de ter estado presente. Mas creio que a primeira vez que o vi ao vivo foi por volta de 1982, no Teatro Sousa Bastos, ao pé da Sé Velha, que nessa altura já estava completamente degradado. Há coisas na vida que não se esquecem. E uma delas foi ter ouvido o Zé Mário, nesse concerto, a dizer o FMI.