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caravançarai
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«Behind a street of little booths we found a vast caravanserai, an enclosure with two layers of arches, built at the time when Herat was one of the greatest trading posts in Asia,. Camel trains are still to be seen all over Afghanistan but they have deserted this one. It has become a cloth market; from every arch row upon row of colourful clothes are suspended and are blown about in the breeze. What is extraordinary in this last outpost of untrammeled orient is that all are Western. A genius has bought a gigantic horde of American ladies dresses and has sold them here. A student of modern fashion could find no better museum of modern dress. From Maine to Texas, from Chicago to Hollywood the wardrobes of thousands of American ladies over forty years are hanging in the breeze. Gowns that could have been worn by Mary Pickford, shiny black velvet with no back, or by Clara Bow, red lace and bead fringes, Jean Harlow, flamingo pink crepe off the shoulder with sequin butterflies on the hips, Shirley Temple, bows and pink lace, the folk weave skirts they square-danced in, the crinolines they waltzed in, fiery sheaths they tangoed in, utility frocks they won the War in, the New Look, the A line, the H line, the X line, all are here, just waiting for some Afghan lady to descend from her mud-built mountain village and choose the dress of her dreams all to be closely concealed under her yashmak.»

- Bruce Chatwin, numa carta dirigida à mãe, escrita em 10 de Setembro de 1963, em Herat, no Afeganistão (do livro Under the Sun – The Letters of BC)


Este trecho de uma carta escrita quando Bruce Chatwin tinha 23 anos, era empregado na casa leiloeira Sotheby’s, e 14 anos antes da edição do seu primeiro livro, In Patagonia, mostra bem a dimensão do talento do escritor, a riqueza do seu vocabulário, a vivacidade das suas descrições, o olhar atento e minucioso, e o sentido de humor.

Além disso emprega uma palavra que eu adoro, ‘caravanserai’. Em português existe ‘caravançarai’. Quando fui à Síria andei semanas a matutar num conto sobre um homem, guia numa caravana que atravessava o deserto, e que tinha decidido ficar num caravançarai situado em plena rota da seda, a meio caminho entre Ugarit, no Mediterrâneo, e a cidade de Dura-Europos, junto do Eufrates, ou seja, na cidade de Palmyra. Nunca escrevi o conto, que pretendia ser sobre a vontade de ficar num lugar por parte de alguém que era um nómada, e de como essa vontade de ficar tinha a ver com descobrir-se um lugar tão bonito que o escolhemos para o lugar onde vamos morrer. O conto intitular-se-ia naturalmente Caravançarai, e de certo modo escrevi-o agora, a propósito deste trecho da carta de Bruce Chatwin.