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innersmile

Ando preguiçoso e desde que vim de férias não me anda a apetecer ler. Estou à espera do livro do Bruce Chatwin a ver se recupero a vontade. Entretanto, para me fazer companhia antes de adormecer, li mais um livro das aventuras de Blake e Mortimer, da autoria de E.P. Jacobs. Apesar de não ser grande leitor de banda desenhada, acho estas aventuras muito divertidas. Este volume, O Enigma da Atlantida, tem a curiosidade, et pour cause, de começar nos Açores, em São Miguel.


Tenho também aproveitado para ler Os Homossexuais no Estado Novo, de São José de Almeida, que já tenho em casa há meses mas que ainda não me tinha dado para lhe pegar de fio a pavio (ou de cabo a rabo, trocadilho intencional). O livro é muito interessante, sobretudo porque é uma tentativa séria de escrever sobre cultura queer, sem estar ligada à universidade, e fazendo-o de modo coerente e profundo. O livro, que nasceu de uma investigação para um artigo publicado na revista dominical do diário Público, por vezes é um pouco desequilibrado, e, como é natural, são sempre mais interessantes os trechos ligados às histórias reais de pessoas concretas, que dão conta do que era o ambiente pesado do Portugal salazarista, e das maneiras que os homossexuais encontravam para expressarem e concretizarem a sua orientação e principalmente o seu desejo. Por contraponto, o livro torna-se um bocadinho mais chato quando faz o enquadramento jurídico e politico-social das questões, mas suponho que seja mesmo assim. Em suma, trata-se de um livro fundamental para perceber não só a história da homossexualidade no último século, ou mesmo um pouco mais do que isso, mas também a própria história das mentalidades, e de um certo atavismo paroquial e hipócrita que ainda continua a marcar muita da nossa maneira de viver em sociedade.