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waiting for bruce
rosas
innersmile
Foi aí por alturas da segunda metade dos anos 90, talvez 1995, 1996: um dia peguei num livro do Bruce Chatwin e foi tudo a eito. Já não me lembro qual foi o primeiro. Li a maior parte em português (em edições da Quetzal que, se não me engano, é a editora que os tem estado a reeditar ultimamente), mas alguns, como o In Patagonia, em inglês, bem como o Patagonia Revisited, que reúne textos da autoria de Chatwin e do Paul Theroux, e ainda, acho eu, o Anatomy Of Restleness, que é um livro póstumo. Até comprei um daqueles livros em formato coffetable, com fotografias e reproduções dos célebres cadernos Moleskin (Photographs and Notebooks). Que eu tenha conhecimento, apenas me falta, para ter a bibliografia completa, Winding Paths, outro álbum de fotografias. Esgotados os livros da autoria do autor, desatei a ler livros sobre ele, With Chatwin, um retrato do escritor da autoria de Susannah Clapp, e a volumosa biografia da autoria de Nicholas Shakespeare (que julgo estar traduzida e publicada em Portugal).

Creio que por volta de 1999 tinha a coisa toda aviada, e desde então sofro de um mal incurável: de cada vez que vejo um livro do Bruce Chatwin à venda tenho de fazer um esforço enorme para não o comprar, dado que já os tenho a todos, mas tal é a força da minha compulsão e a minha vontade de o ler. Não há nada que dê mais prazer, para quem gosta de ler, do que descobrir um autor e sentir essa vontade obsessiva de lhe ler a obra toda, e quanto antes. Entretanto a semana passada descobri, não me consigo lembrar onde e já andei à procura, que foi editado um volume de correspondência do Bruce Chatwin, que cobre a maior parte da sua vida, escolhida e editada pela viúva de Chatwin, Elizabeth, e pelo biógrafo Nicholas Shakespeare. O site do Telegraph publicou, no dia 2, um artigo da autoria do Paul Theroux sobre o livro (link). Amigo de Chatwin e um dos destinatários da correspondência. Theroux, com fair play mas com uma ponta de indisfarçada acrimónia, cita uma carta destinada a outro correspondente, em que Chatwin se refere a si nos seguintes termos: "[PT] happens to be a friend of mine, though, and if I can’t quite stomach what he does, he is one of the more lively spirits around London."

Claro que comecei imediatamente a salivar e a pensar que ler o livro constituía a maior prioridade da minha vida. Tratei de o encomendar da Amazon, que, na altura em que fiz a encomenda, dizia que o livro existia em stock, pronto para entrega imediata. Afinal mandaram-me um mail a dizer que a data previsível de entrega da encomenda será entre 16 e 20 de Setembro! Parece-me uma enorme falta de consideração para quem está aqui em pulgas para ler qualquer coisa que tenha sido escrita pelo pulso do Bruce Chatwin. Qualquer coisa. Uma carta, ok, mas podia ser mesmo uma lista de lavandaria.

edit: já depois de redigido o texto, recebi um mail a dizer que a data estimada de entrega foi antecipada para 10 a 13 de Setembro. Melhora. Mas bom mesmo seria se me viessem entregar o livro ainda esta tarde.