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enquanto espero
rosas
innersmile
enquanto espero, ouves?, o ar parece que arranha as espiras do relógio. o vento a passar pelo tempo, muito ao de leve, um arrepio que me faz levantar os cabelos do braço e a pele eriça-se, como a casca áspera de um fruto na fruteira em cima da mesa. toca o telefone como o sino da torre da igreja, ainda vens?, que não demoras. a chuva, fininha, molha o asfalto ainda quente do dia de Agosto, e eu vejo-me a dançar, pequeno e leve como uma vibração, na torrente que desce suavemente a rua. colo o teu retrato ao peito, e a água transforma as linhas da carta que me vais escrever um dia num borrão de tinta. oiço uma canção, a reverberar nos vidros da janela. enquanto espero, tento ouvir o teu nome, nas pausas da canção. sorrio, por fim.
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