?

Log in

No account? Create an account

wendy e a 4L
rosas
innersmile
Há coisas que não se esquecem e associações que funcionam sempre. Aí por 1988, 1989, eu era recém-licenciado, tinha um emprego merdoso que me pagava um salário miserável, mas que me obrigava a correr o país numa Renault 4L, creme cor de caganeira, com o logo da empresa, se não estou em erro, pintado de verde. Isto, claro, numa altura em que não havia auto-estradas, e em que ir a Vila Real de Santo António ou a Vila Real de Trás-os-Montes, ambos sítios onde tive de ir algumas vezes, era projecto para um dia inteiro, ficar e voltar no dia seguinte. Eu adorava a 4L, e o meu rendimento profissional era proporcional ao meu salário, porque eu tentava passar o menos tempo possível a tratar dos assuntos da empresa porque o que queria era mesmo andar de um lado para o outro, a meter mudanças no tablier, a fazer ultrapassagens em que os pneus fininhos quase que descolavam da estrada, e sobretudo a ouvir rádio. CD? Cassete? Pois pois, era mesmo só o rádiozinho, mas em compensação tocava sempre em altos berros. Deve ter sido o ano e meio da minha vida em que ouvi mais rádio (ok, quando era adolescente também ouvi rádio em doses industriais).

Então e no que toca às associações, a verdade é que sempre que me lembro desse meu emprego de merda me lembro dos Transvision Vamp, e sempre que ouço os Transvision Vamp lembro-me desses tempos da 4L. Não faço ideia porquê mas vem-me sempre à ideia andar às voltas pelos arredores de Rio Maior, ou então seguir praticamente sozinho por uma estrada nova, acabada de abrir ao tráfego, que cortava uma montanha cheia de pinheiros na ligação de Tomar a Abrantes. Até porque Abrantes era, por razões que agora me são completamente insondáveis, das cidades onde mais ia e onde mais gostava de ir. E pronto, sem mais delongas, os Transvision Vamp e Baby I Don’t Care. This one’s for you, velhinha 4L que já nem em sucata deves existir.