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o último cabalista de lisboa
rosas
innersmile


Já tinha lido, da autoria do norte-americano radicado em Portugal, Richard Zimler, dois livros: À Procura de Sana e o volume de contos Confundir a Cidade com o Mar. Tinha há muito tempo vontade de ler o livro que primeiro projectou Zimler como escritor, O Último Cabalista de Lisboa, e que se tornou um best-seller internacional. Aproveitei agora uma edição de bolso da colecção BisLeya (com uma capa feiíssima mas um preço muito atractivo), e li-o nos dias de férias em Pedrogão Pequeno, e gostei imenso do livro.

Trata-se, para quem não sabe, de um policial que tem por pano de fundo os pogroms que se realizavam em Lisboa em finais do século XV inícios de XVI, e que prenunciaram a entrada da Inquisição em Portugal. Apesar de alguns anacronismos, e de uma narrativa que por vezes se entusiasma e se descola do contexto histórico, Zimler cria um romance coerente, bem alicerçado quer no contexto histórico português (vivíssimas as descrições de Lisboa) quer na cultura e religião hebraicas, que constituem, digamos assim, a estrutura da arquitectura do romance.

E se é verdade que as demasiadas personagens secundárias carecem de definição suficiente para se tornarem memoráveis, a parelha de investigadores, Berequias Zarco, o narrador aprendiz de cabalista, e o seu amigo Farid, um muçulmano surdo-mudo, são personagens inesquecíveis e muito verosímeis. Em suma, trata-se de um belo romance de aventuras que nos chama a atenção para uma realidade histórica que se viveu em Portugal.