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airbender
rosas
innersmile
Estou triste. Fui ver o último filme do M. Night Shyamalan, The Last Airbender, e não gostei nada. E a sério que me esforcei, estive sempre muito atento (tirando a parte que passei pelas brasas) à procura dos mesmo mais subtis sinais do Shyamalan e só encontrei muito poucos, e mesmo assim com uma certa dose de boa vontade da minha parte. Palavra, não sei o que é aconteceu ao homem. Eu, ao contrário de muitos críticos, tinha gostado do seu filme anterior, o Happening, e juro que não estava preparado para isto. O Shyamalan é um dos meus realizadores favoritos, e foi um amor a sério, daqueles que cresce com o tempo, não foi assim uma paixão repentina com o Sixth Sense, aliás esse meu amor nem começou muito com o Sixth Sense, mas pronto, o facto é que gosto muito do Shyamalan e não percebo onde é que ele estava com a cabeça quando fez este Airbender. Não é que o filme seja mau, mas é fraquinho, não tem interesse, nem garra. Até o 3D deixa muito a desejar, as legendas são praticamente a única coisa do filme em que se nota bem. Ah, como comecei por dizer, só muito a custo encontrei sinais do Shyamalan no filme, e um deles, acho eu, é na própria personagem do Aang, o Avatar. Acho que o miúdo realmente tem qualquer coisa do M. Night, uma certa "fierceness".
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gay movies?
rosas
innersmile
Tenho aproveitado as noites de verão para ver alguns filmes no computador. Decidi fazer uma actualização em filmes de temática mais ou menos gay, porque já há muito tempo que não via filmes com este tema.

O primeiro nem é bem temático, mas enfim, anda lá perto. Intitula-se NaPolA, é de autoria de um alemão, Dennis Gansel, e focaliza-se nas escolas de elite do regime nazi, que começaram por preparar as elites do império dos mil anos e acabaram a fornecer carne para canhão para a frente oriental. O filme não é grande coisa, mas o tema está bem tratado e sempre aprendi alguma coisa.

Vi também um documentário inglês intitulado Greek Pete, que supostamente analisa o dia a dia de um jovem prostituto masculino nas ruas de Londres. Achei seca. O filme, de certa maneira, pretende ser uma revisitação dos documentários do cinema 'verité', ou então dos filmes do Andy Warhol e do Paul Morrissey com o Joe Dalessandro, mas não tem chama, o olhar é baço, superficial, e tem sequências que são mesmo bocejantes.

Igualmente com origem inglesa, a comédia 9 Dead Gay Guys, que tem um pressuposto engraçado, o de juntar diversos estilos de filmes que os ingleses costumam fazer, a comédia de costumes, o policial, o realismo working class, e juntar-lhe um contexto de ambiente gay mais facção East London do que propriamente de Soho Gay Village. O resultado não é muito brilhante, mas o filme é mais ou menos divertido e tem um certo ar indie que lhe fica bem. Tem umas canções engraçadas, com um aproveitamente delicioso do clássico do Des O'Connor, Dick-a-Dum-Dum.

Vi ainda Mulligans, um filme que tem muita popularidade neste género temático do cinema gay. E há razões para essa popularidade. A primeira tem a ver com a própria história, que conta um drama familiar em que um pai de família se descobre, ou se assume, homossexual, através do encontro com um colega do filho. Outra razão prende-se com o tom com que o filme trata o tema, de uma maneira favorável, simpática, em que não há personagens negativas, e todas elas acabam por encontrar um certo equilíbrio depois da crise. Outra razão de peso tem a ver com os actores, sobretudo com o Dan Payne, que é um gajo tão bom que até chateia. De modo que com estas razões todas é impossível não simpatizar e gostar do filme. O ponto é outro: narrativamente, o filme é uma tábua rasa; não tem, já nem reclamava uma ideia de cinema, mas ao menos um olhar cinematográfico. Do ponto de vista narrativo, o filme parece-se mais com um telefilme, no pior sentido do termo. As imagens não contam uma história, limitam-se a ilustrá-la; o alfabeto é limitado, apesar de o filme ter alguns recursos de produção; a linguagem é plana, toda feita dos mais correntes clichés televisivos. Isto não é mau em si, mas impede que o filme seja grande, que nos arrebate e emocione, que a gente acredite naquela história e naquelas personagens.

Uns pontos acima está, na minha opinião, o filme brasileiro Do Começo ao Fim. Para além de estarmos a falar de cinema e já não de mera narrativa ilustrada, o filme de Aluízio Abranches chega a ser subversivo pela maneira obstinada como coloca o amor no centro de uma história de tabús: dois rapazes irmãos são apaixonados um pelo outro e não só consumam mas celebram esse amor, e libertam-se através dele. Esta ideia, de acordo com os nossos padrões morais, é quase impossível: a de que esse amor verdadeiramente maculado pelo incesto (para já não falar da homossexualidade), é mais sublime do que aquele que nos é dado a conhecer nas nossas vidas. A segunda parte do filme é um bocado monótona, sobretudo as cenas de sexo, que resvalam para um homoerotismo muito estilo foto de site erótico. Mas também não admira, com dois actores tão giros à disposição era difícil não cair na tentação de fazer bonitinho. Mas um filme tão interessante e provocador merecia outro tipo de tensão, mesmo de tensão erótica. Seja como for, acho que é um filme muito recomendável.
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