August 2nd, 2010

rosas

sonho de uma noite de verão

Fui, no Sábado ao fim da tarde, a Tomar assistir à peça Sonho de Uma Noite de Verão, pelo grupo Fatias de Cá. Há muito tempo que tinha curiosidade em ir ver um espectáculo desta companhia, cujas imagens de marca, entre outras, é levarem as peças à cena fora dos teatros, e o de incluírem sempre ao menos uma refeição. Para esta produção da peça de Shakespeare, o cenário escolhido foi o da Mata dos Sete Montes, aproveitando o facto de o cenário natural de grande parte da peça ser uma floresta. No início do espectáculo houve o jantar, ao ar livre, em ar de piquenique, o banquete do casamento do duque de Atenas com Hipólita, e depois cada um pegou no seu banquinho de lona e lá fomos atrás do Puck, mata dentro (e sobretudo mata acima!), ao encontro das fadas e dos actores amadores.

Claro que uma produção deste género vive sobretudo do insólito e da possibilidade de partilharmos a experiência de fazer o teatro acontecer, não só no lugar mais inesperado, mas também no meio das pessoas, sem a distância entre o palco e o público. E claro também que o texto de WS resiste a tudo (deve ser a peça que mais vezes vi representada, no teatro ou no cinema) e é sempre ele que marca o espectáculo, é a linguagem que nos convoca para a aventura e que lhe dá sentido. Mas não deixa de ser entusiasmante ver representar WS no meio da mata, com a parca luz das lanternas a projectar sombras lúgubres no já de si fantasmagórico cenário nocturno da floresta. Com este recurso natural, a produção pode dar-se ao luxo de dispensar outros recursos cénicos, e cabe aos actores a tarefa de conduzir (em todos os sentidos do termo) o espectáculo. Gostei do tom amador do grupo de teatro amador, porque achei completamente adequado ao tom da peça, uma opção da encenação com as doses certas de ironia e ternura. Gostei, é claro, de Puck, feito, de acordo com a informação fornecida no site da companhia (link), pela actriz Ana de Carvalho, histriónica e com uma boa capacidade de improvisação. Carlos Carvalheiro, encenador e a alma deste grupo teatral, participa no espectáculo com o duplo papel de duque de Atenas e de Oberon.