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nove
rosas
innersmile
O innersmile faz hoje 9 anos. O que faz dele, segundo li um dia destes, um dos blogs (ouch) portugueses mais antigos em actividade. O problema da equação está naquela parte 'em actividade'. Pelos vistos ter um blog já é, quer dizer, já é há muito tempo, yesterday (melhor: yesteryear) news. Cada vez há menos gente a escrever blogs e ainda menos a lê-los. Os contadores de visitas que uso, e a estatística do livejournal, é isso que dizem, que há cada vez menos pessoas a ler o innersmile. Às vezes tenho mesmo a impressão de que não há ninguém. Ok, tirando vocês os dois ou três que insistem...

O problema não é tanto do facebook ou do twitter, é mesmo meu. Quando descobri o livejournal, e os blogs, ou seja, há nove anos, fiquei entusiasmadíssimo. O tempo e a prática vieram a confirmar que este tipo de coisa dá-me muito prazer. Eu gosto de escrever, gosto de escrever sobre coisas, e sempre se garante que, pelo menos de vez em quando, alguém lê, e reage, e responde. E esse prazer mantém-se intacto, e é por isso que não me apetece parar, pelo menos quase nunca. Quase nunca me canso, e mesmo quando isso acontece, passa ao fim de poucochinho tempo.

Confesso que houve um tempo em que o innersmile era quase uma obsessão.´Um bocado como aquelas pessoas que quando chegam a um sítio deslumbrante, em vez de se porem a olhar para ele e a beber o deslumbre, sacam das máquinas e começam a fotografar ou a filmar. Também assim, eu quando vivia determinadas experiências, em vez de as gozar ao máximo, punha-me logo a pensar na maneira de escrever sobre elas aqui no innersmile. Agora ultrapassei essa fase obsessiva: já não há qualquer distinção entre estar a olhar para o espanto e estar a escrever no innersmile. De algum modo, o innersmile, quer dizer escrever no innersmile, ajudou-me a ler, a ver filmes, a ouvir música, às vezes até a estar com os outros e a olhar a vida que passa. Acho que só ainda não se confunde com os meus sentimentos: quando há emoções muito fortes na minha vida, ainda sinto o innersmile com uma espécie de estranho pudor.

Apesar de tudo, há coisas que (me) fazem falta. Fazem-me falta os amigos que fiz através do innersmile. Quando os encontro no facebook, sabe-me sempre a pouco, parece aqueles encontros fortuítos e apressados que temos no meio do trânsito com os grandes amigalhaços da nossa juventude: é bom revê-los, mas falta qualquer coisa que já houve. Faz falta aquela vergonha que eu sentia quando escrevia por exemplo sobre um livro, e o tipo que o escreveu vinha comentar. Faz-me falta ler os textos dos amigos, ver as suas fotos, saber das suas coisas e das suas vidas, e empolgar-me e incentivar-me com eles. Quantos textos escrevi aqui a propósito de coisas que eles fizeram. fotos, outros textos, ou mesmo só a propósito deles e do que me dava o seu convívio. É que apesar de tudo continua a ser sempre isso o melhor que o innersmile me vai dando: o prazer, e mesmo o privilégio, de me arranjar amigos.