?

Log in

No account? Create an account

o terceiro homem
rosas
innersmile
Por estes dias em Inglaterra, lavam-se os cestos de década e meia de governo Labour. Do triunvirato que levou o Labour ao poder, nas eleições de 1997, dois chegaram ao lugar de topo de primeiro-ministro, Tony Blair e Gordon Brown. Não é líquido que a partilha sucessiva do lugar estivesse combinada logo desde o início indo Tony em primeiro lugar porque tinha uma personalidade e uma imagem mais apelativa ao voto (a célebre teoria do restaurante Granita), ou se resultou apenas do imenso desgaste que Blair sofreu em consequência da guerra do golfo, e que teria sido combinada logo a seguir às eleições de 2005, ainda ganhas por Blair.

O terceiro homem desse triunvirato era Peter Mandelson, que acaba de publicar um livro de memórias políticas intitulado, justamente, The Third Man. Mandelson era, dos três, o homem do partido, para o qual entrou muito jovem. Foi funcionário do Partido Trabalhista e era aquilo que na política inglesa se desgina por spin doctor, e que na política nacional chamamos de homem do aparelho, o tipo que controla e domina e manipula, enfim que mexe os cordelinhos, e de que lhe resultou a alcunha de Prince of Darkness, transformada em The Dark Lord, depois de ter sido feito Barão, por proposta do primeiro-ministro, em 2008. Ao longo dos treze anos de governo Labour, Mandelson esteve duas vezes no governo com Blair, e das duas teve de se demitir na sequência de escândalos na imprensa relacionados com trocas de favores (um empréstimo para compra de casa não declarado, na primeira, facilidades na obtenção de passaportes para homens de negócios indianos que estavam a contas com os tribunais inlgeses, na segunda). Foi secretário de estado para a Irlanda do Norte (a seguir a Mo Mowlam, uma das figuras míticas do New Labour), e, entre 2004 e 2008, comissário europeu do comércio (primeira comissão de Durão Barroso). Em 2008, no seguimento de uma remodelação governamental, integra pela terceira vez o governo inglês, desta feita com Gordon Brown.

A edição do livro de memórias mereceu um contrato milionário de pré-publicação no The Times, e tem dado origem a uma grande dose de polémica, com o partido em peso a condenar nao só o sentido de oportunidade, no momento em que a liderança do Partido Trabalhista está a ser disputada, como sobretudo o teor de algumas revelações. Tony Blair, que prepara ele próprio um volume de memórias a ser editado ainda este ano, aparentemente foi um dos insatisfeitos, apesar de Mandelson ser muito mais meigo com ele do que Gordon Brown, a quem, entre outros mimos, chama de paranóico. Mas sempre vai acusando Blair de sempre ter tentado fazer a folha a Brown de modo a enfraquecer a sua posição no governo. De modo geral, e apesar de Mandelson ser agora membro da Camara dos Lordes, a generalidade da imprensa inglesa considera liquidada a sua carreira política, pelo menos ao lado dos trabalhistas, já que, pelos vistos, ultimamente tem andado a fazer rapa-pés ao actual primeiro-ministro, o conservador David Cameron.

Uma das facetas curiosas de Peter Mandelson é o facto de ele ser um homossexual assumido, pelo menos desde que, logo em 1998, os tablóides ingleses tentaram fazer escândalo com as suas ligações amorosas. Durante muitos anos teve uma relação estável com um brasileiro, e ultimamente os mexericos ligam-no a um designer de moda italiano. A imprensa britânica de tipo sarcástico e humoristico costumava dizer que o namorado brasileiro tinha o emprego menos invejável de todo o Reino Unido: "to suck Mandelson's cock"! No entanto, a maneira firme e assumida como Mandelson nunca deixou a sua orientação sexual interferir na sua carreira política, tornam-no, de certo modo, um modelo na maneira como os políticos lidam com esta matéria, apesar de, nos anos mais recentes, outros casos terem surgido.
Tags: