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aforismo pessoano
rosas
innersmile
Em flagrante delírio:

'Primeiro entranha-se, depois arranha-se.'
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the ghost writer
rosas
innersmile
Apesar das complicações porque tem passado a sua vida privada, é um Roman Polanski em grande forma que nos traz The Ghost Writer. Enormíssima forma, mesmo, num thriller político, aparentado em termos de filmografia do realizador com o excelente Frantic, que cumpre com evidente prazer, dir-se-ia até que com fremente luxúria, os ditames do género. É clara a inspiração hitchcockiana, sobretudo na maneira como toda a verdade nos é revelada cedo no filme, pelo menos desde a cena dos roupões castanhos, e daí em diante assistimos, com uma certa pena mas com muito e cruel gozo, às aflições do herói. Improvável, claro está; o que menos se espera de um escritor-fantasma é que seja protagonista seja do que for, e essa ironia faz também parte do humor, tão fino quanto inegável, que atravessa todo o filme.

Polanski é um daqueles realizadores que já não se usam, derradeiros representantes de um tempo e de uma geração em que a marca autoral se conseguia através de um domínio rigoroso dos códigos e das linguagens. E isso está presente neste filme, de modo mais do que evidente, apesar de haver momentos na história mais frágeis e até pouco consistentes. Mas até nisso o filme faz lembrar o Mestre Alfred, que não hesitava em sacrificar a história em nome da narrativa, apesar de ter feito escola a pregar o contrário.

Ewan McGregor está em grande forma, e muito do gozo do filme passa igualmente por si, e por um rosto que está a ficar exímio na maneira como demonstra a insinuação de um sorriso. Outro ponto forte é a banda sonora de Alexandre Desplat.
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