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o hipnotista
rosas
innersmile


Li, durante o fim de semana alargado em Mira, mais um policial sueco, muito na linha da série Millennium, de Stieg Larsson. O autor de O Hipnotista chama-se Lars Kepler, e tem a particularidade de se tratar de um pseudónimo escolhido por um casal de escritores para dar rosto a esta aventura policial, Alexandra e Alexandre Ahndoril. Alexandra, já agora, é filha de mãe portuguesa.

É verdade que O Hipnotista não tem o aprumo, a 'craftmanship', dos livros de Stieg Larsson, que são, do ponto de vista narrativo, perfeitos enquanto exemplares do género. Nem tem, como acontecia em relação à série Millennium, o toque de subversão, que passava por colocar no centro da história, no seu DNA, as degenerescencias do estado sueco, e das democracias em geral, nomeadamente a de propiciarem o aparecimento no interior das pesadas máquinas burocráticas estatais, de secções com tanto de clandestino como de ilegal, que visam assegurar mecanismos de manutenção do poder às oligarquias, partidárias ou outras, que o detêm.

O Hipnotista, nesse aspecto, não tem outra ambição que não seja o divertimento puro, ainda que não deixe de reflectir sobre as famílias e o seu papel nas sociedades ocidentais, nomeadamente face a uma certa dissipação de valores. Talvez o facto de não pretender outra coisa que não a diversão, ameace um pouco a coerência da história, que acumula sinais e pistas apenas para prender o leitor e o manter agarrado à narrativa. Mas isso não prejudica em nada a economia do livro, que se lê com a sofreguidão desejável. Tal como é muito eficaz a gerir uma certa noção de medo, que não chega propriamente a criar desconforto, mas contribuí para o manter em suspense. O naipe de personagens é o esperado neste tipo de livro, o comissário Joona Linna precisava, acho eu, de um pouco mais de sumo, mas Erik Maria Bark, o hipnotista e verdadeiro protagonista desta história, é um personagem muito bem conseguido e que segura o romance e o faz avançar. Trata-se, em suma, de um livro bem urdido e bem construído, que não tem outras ambições que não sejam a de um bom divertimento, coisa que, de resto, faz com muita competência. Ficamos à espera que o 'casal' Lars Kepler nos dê mais aventuras deste polícial frio e sombrio como os Invernos da Escandinávia.