July 15th, 2010

rosas

soccer city

O melhor do campeonato do mundo de futebol, no plano da competição propriamente dita, é que ganhou de facto uma das melhores equipas presentes no torneio, se não mesmo a melhor. Tirando o percalço inicial no jogo contra a Suíça, a selecção de Espanha foi sempre forte, consistente, bem preparada, bem treinada, com atitude e ambição vencedoras. E se isso foi evidente em relação ao jogo contra Portugal, em que foi relativamente fácil aos espanhóis imporem a primazia no jogo, ficou mais evidente em jogos difíceis, como o da final e até, se calhar, por maioria de razão, no jogo das meias finais contra a Alemanha, em que a Espanha conseguiu quebrar o 'sistema alemão', e impor-se com autoridade incontestável. Ganharem os melhores é sempre bom, porque reforça o sentido e a razão de ser de qualquer desporto competitivo.

Mas para além da competição, o melhor deste campeonato do mundo foi a África do Sul, vuvuzelas incluídas. Perante os maus augúrios dos catastrofistas de serviço, que começaram por duvidar da capacidade do país em organizar um evento desta dimensão e acabaram, nos dias imediatamente anteriores ao início dos jogos, com o alarme da onda de assaltos a delegações e jornalistas, o campeonato do mundo decorreu sem sobressaltos, em ambiente de festa, sem episódios de violência (pelos vistos transferiram-se para o parque das nações, em Lisboa). Mais, com interesse desportivo, que, como é normal, veio a subir ao longo do campeonato, e apesar das polémicas da jabulani e das decisões das arbitragens (esta, pelo menos, e em todo o caso, da responsabilidade da FIFA, mais do que da organização).

Mas o melhor, o melhor deste campeonato, como um dia destes destacou em crónica creio que no DN o jornalista Ferreira Fernandes, foi a qualidade das transmissões televisivas dos jogos do mundial. Naqueles aspectos mais técnicos, digamos assim, a mostrar as jogadas importantes, as repetições de diferentes ângulos, os esquemas, as posições no terrenos. Mas principalmente a mostrar o espectáculo, e sobretudo o espectáculo humano, do futebol. Os detalhes, as imagens em câmara lenta, os aspectos exteriores ao jogo, os grandes planos das caras dos jogadores, as reacções dos treinadores, a escolha de pormenores da assistência, tudo isso fez deste mundial de futebol da África do Sul, como diz Ferreira Fernandes, o mais bem filmado de sempre (vale a pena ler na íntegra a crónica de FF, neste link)

Não vi as cerimónias de abertura nem de encerramento. Nomeadamente nesta, não tive oportunidade de ver Nelson Mandela. Mas fico contente por este campeonato ter corrido de forma a ser mais uma realização do país que o Madiba marcou de maneira indelével.