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carpe diem
rosas
innersmile
No final de Agosto do ano passado fui fazer uns dias de férias com os meus pais ao hotel do aldeamento de MiraVillas, na Praia de Mira. Passada uma semana do regresso, a minha mãe caiu e fracturou o colo do fémur. Seguiu-se um processo complicadíssimo, primeiro pela dificuldade em decidir operá-la, por causa da situação cardio-respiratória; depois pela recuperação em si, a minha mãe já tinha muitas limitações de mobilidade e que foram naturalmente agravadas. Foram tempos de muita apreensão e também de muito desânimo, o que é raro quer nela quer em mim. Logo num dos dias imediatos à queda, não posso precisar se antes ou depois de ser operada, estávamos a conversar, no quarto do hospital, e ela estava com muito medo, convencida de que nunca mais voltaria a andar, que ficaria sempre de cama o que significaria a iminência do fim. E queixou-se, deprimida, de que não podia ter nada de bom na vida, tinha ficado tão feliz com as férias em Mira e logo acontecer aquilo. Apesar de eu também estar muito apreensivo e medroso, afiancei-lhe de que tudo iria correr bem, que ela iria recuperar, e que voltaríamos ao MiraVillas dentro de um ano para passar mais uns dias de férias.

Afinal nem passou um ano. Tirei uns dias de férias e voltámos os três a Mira, para mais uns dias de descanso e relaxe. A parte menos boa foi constatar que, do ano passado para este, houve dificuldades que aumentaram. Os passeios a pé tiveram de ser encurtados, ou mesmo substituídos pelo automóvel; impossível subir a escada para o restaurante, no primeiro andar (conformámo-nos com uma mesa posta de propósito, no snack do rés-do-chão); mesmo nos trajectos mais curtos, dentro do hotel, tinha dificuldade em andar sozinha; e os rituais da casa de banho eram uma aventura. A parte boa foi, primeiro, podermos ir de férias, termos ido de férias, a minha mãe ter autonomia para poder sair, e sem a máquina de oxigénio, e sem as pessoas que lhe dão apoio diário em casa. Podermos passar quatro dias relaxantes, passados entre incursões matinais à Praia de Mira para comprar o jornal, beber um café e dar uma volta na marginal, e as tardadas na esplanada da piscina e os jantares demorados e descontraídos.

Eu, claro, aproveitei para, entre mergulhos, aboborar nas cadeiras à beira da piscina, a ler. Apesar de ter sempre procurado a sombra dos pinheiros, não me livrei de um escaldão, e cá estou todo em estado de cor de rosa escarlate. Carpe diem, pois.

i hear music up above
rosas
innersmile
Já aqui tinha posto um clip da canção Sister Rosetta Goes Before Me, numa versão lindíssima de um disco que a Alison Krauss fez com o Robert Plant (link). Lembrei-me agora outra vez dela, e decidi bisar a canção, mas desta vez num clip em que quem a canta é a sua autora, a cantora Sam Phillips:

Sam Phillips- Sister Rosetta Goes Before Us from Jon Salvia on Vimeo.


Strange things are happening everyday
I hear the music up above my head
Though the sight of my heart has left me again
I hear music up above

Secrets are written in the sky
Looks like I've lost the love I've never found
Though the sound of hope has left me again
I hear music up above

Standing in my broken heart all night long
Darkness held me like a friend when love wore off
Looking for the lamb that's hidden in the cross
The finder's lost
I know I loved you too much
I'll go alone to get through

I hear Rosetta singing in the night
Echos of light that shines like stars after they're gone
And tonight she's my guide as I go on alone
With the music up above




Lembrei-me desta canção a propósito do encontro da sonda espacial Rosetta, da Agência Espacial Europeia, com o asteróiode 21 Lutetia, no passado dia 10 de Julho. Os cientistas acreditam que o asteróide Lutetia, com as suas crateras e marcas de impactos fortíssimos, possa ser um left-over do famoso big bang, o que transforma este acontecimento num verdadeiro encontro com a história do universo. O flyby aconteceu a mais de 450 milhões de quilómetros da Terra, e deu-se a uns meros 3162 km de distância, ou seja menos do que a distância entre muitas cidades europeias! Foi um verdadeiro kiss and run, já que a Rosetta, depois de tirar muitas fotografias, continuou o seu trajecto em direcção ao cometa Churyumov-Gerasimenko, com quem tem encontro marcado em 2014. Este link, da página da ESA, é um excelente ponto de partida para uma viagem sobre a Rosetta e o asteróide Lutetia; já agora, foi desta página que roubei as duas fotografias do Lutetia, assim baptizado em homenagem à cidade de Paris, que vou pôr em baixo.

Agora o que me deixou deslumbrado, tanto quanto as imagens belíssimas do Lutetia, é como a letra da canção da Sam Phillips, dedicada a Rosetta Tharpe, uma das primeiras cantoras gospell a gravar e a actuar nos clubes de blues e de soul, parece caber inteirinha nesta história do futuro e ser dedicada à própria sonda espacial: «I hear Rosetta singing in the night, Echos of light that shines like stars after they're gone». É lindo. Aliás, é sublime.