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a pomada dos chinas
rosas
innersmile


Há uns dias que ando a pôr a pomada dos chinas, no joelho esquerdo e na base do dedo polegar da mão esquerda. Estou a usar o bálsamo Tigre vermelho, por ser o mais poderoso, que comprei no aeroporto de Banguecoque. O ponto é que esfrego a pomada e depois deito-me no sofá a ler. Conclusão, a capa branca do livro que estou a ler está a ficar com zonas amareladas, na base, onde o livro aberto se encaixa na mão quando estou a ler as páginas impar, e na lombada aberta, a exterior, não aquela onde as folhas estão coladas, de segurar no livro quando estou a ler as páginas par.

Quando reparei que o livro estava a ficar marcado fiquei um bocadinho irritado. Mas depois achei graça à ideia de um livro que foi editado em Portugal e está a ser lido em Coimbra, escrito por um escritor de origem indiana nascido naquilo que em inglês se chamam as Índias Ocidentais Inglesas, no caso nas ilhas de Trinidad e Tobago, e que vive em Londres, está a ficar com a capa amarelecida por causa de uma pomada com intenso cheiro a cânfora que foi comprada numa loja do aeroporto da capital da Tailândia quando fiz escala a caminho do Vietname.

Há coisas no nosso indistinto e monótono quotidiano que, vistas a uma certa luz, parecem mais extraordinárias do que a mais extraordinária das aventuras.