June 12th, 2010

infinito

tóibín e leavitt

Dois artigos interessantes na edição de ontem do Ipsílon, do Público. Uma entrevista com o escritor irlandês Colm Tóibin, de quem li recentemente dois livros, e estou a ler outro. A entrevista fez-se por ocasião de uma recente vinda de Tóibín a Portugal, quer dizer a Lisboa, para o lançamento da edição portuguesa de Brooklyn, um dos livros que li há pouco. A entrevista está muito boa, sobretudo porque fornece óptimas pistas de leitura para o livro, e nos põe a pensar sobre os processos de escrita, e os deste autor em particular.

O outro artigo é a recensão de O Escriturário Indiano, a tradução nacional do último livro de David Leavitt, The Indian Clerk. Li o livro há uns três anos, em 2007 acho, e é o meu livro favorito do David Leavitt e um dos meus preferidos tout court. Foi um livro que me marcou imenso, pôs-me a ler coisas sobre a matemática, mas sobretudo mostrou-me uma voz, a do personagem principal, o matemático G. H. Hardy, com a qual me identifiquei. Foi um daqueles casos de relação intensa e apaixonada com um livro e com quem o habita. Finalmente está publicado em Portugal, e deu-me um certo orgulho vê-lo recenseado no jornal. Infelizmente acho que o texto de Helena Vasconcelos, uma das minhas críticas literárias preferidas, não nos abre muitas pistas e perspectivas em relação ao livro. Fiquei um bocadinho decepcionado, queria mais. Mas admito que o problema é só meu, que gosto tanto do livro que queria uma coisa mais profunda, não sei. Seja como for, se eu recomendasse a alguém um único livro este ano, teria de ser este O Escriturário Indiano, do David Leavitt (em edição, acho eu, da Teorema).