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a orquídea
rosas
innersmile
O ano passado pela Páscoa, as minhas afilhadas e os meus compadres ofereceram-me uma orquídea, linda, toda em flor. Quando o verão acabou as flores começaram a secar e a cair. Cortei-lhe o caule e passou o inverno a crescer, sempre a nascerem folhas novas, e eu, claro, na expectativa de ver se ela tornaria a dar flores. Quando o inverno começou a querer acabar (e bem que resistiu, este ano), nasceu um novo caule que desatou a espigar por ali a cima. Uma tarde, armado de paciência e mil cuidados, decidi prender o caule a uma haste, para ficar direita e mão tombar com o peso das ramificações. Claro, como sou um bruto desajeitado, parti o caule um bocadinho acima do meio. Fiquei tristíssimo, e sobretudo zangado comigo próprio pela minha falta de cuidado. Mas para minha surpresa o caule começou a ramificar debaixo do ponto onde se tinha partido. E mais, nasceu um novo caule que cresceu muito depressa, começou a escurecer e a criar mais ramificações. Agora a orquídea é um emaranhado de ramos, cheios de botões, uns mais cheios outros mais pequeninos. Não sei o que vai sair dali, se vão dar flor ou se acabam por secar. Mas tem sido delicioso e divertido ver estas aventuras todas da orquídea a resistir aos meus maus-tratos. E eu, claro, ainda gosto dela mais do que gostava, e isso é bom porque me faz lembrar ainda com mais carinho quem ma ofereceu.

Um destes dias estava a contar à minha mãe as aventuras e desventuras da minha orquídea, e a maneira como ela tinha resistido aos maus-tratos e tinha tratado de encontrar soluções alternativas para dar vazão à sua necessidade de viver e de crescer. A minha mãe ficou muito séria e com um ar sereno chamou-me a atenção para a lição que a orquídea nos estava a dar, de como quando nos é cortado um caminho devemos encontrar alternativas e procurar novas maneiras de viver. E de como ela própria tinha a aprender com a orquídea e a sua recusa da desistência e a vontade de resistir.