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casamento gay
rosas
innersmile
Aí a rapaziada gay, enfim nem toda, está a reagir muito mal a uma canção nova do Quim Barreiros chamada Casamento Gay. Acho esta reacção um bocado despropositada, afinal de contas o Quim Barreiros não é para levar muito a sério, e as canções dele servem basicamente para duas coisas: para fazer comboinhos nos casamentos deprimentes, e para vomitar na queima das fitas. Eu acho o Quim Barreiros divertido, e nunca me passaria pela cabeça ofender-me com nada que ele possa dizer nas canções.

Acho que nós temos esta coisa de levar muito a sério tudo aquilo que nos diz respeito, e muitas vezes a gozar de uma maneira que pode ser humilhante com aquilo que diz respeito aos outros. Acho que é por isso que o pessoal se ofende por o Quim Barreiros usar lá na cançoneta expressões como paneleiro, panasca ou maricas. Como dizem os ingleses, sticks and stones may break my bones, but words will never hurt me. Ora só nos ofende quem a gente deixa, e se tomarmos as palavras com o valor que elas têm, ou a falta dele, essas expressões deixam de ter esse aspecto insultuoso. E um tipo ofender-se com isto é mais uma menos como uma rapariga chamada Teresa se sentir ofendida com a canção do Quim Barreiros, Chupa Teresa (devo dizer que é das minhas preferidas, juntamente com a da Garagem da Vizinha.)

Como disse, o Quim Barreiros diverte-me, sobretudo porque acho que ele tem um humor muito brejeiro e popular, e que isso corresponde a um lado muito genuíno das pessoas (ok, mesmo que tenha o lado negativo de muitas vezes ser expressão de uma mentalidade retrógrada e mesmo rude). E sobretudo acho um piadão àqueles jogos de palavras que ele usa, aproveitando onomatopeias e cacofonias. Aliás, esta canção do casamento gay tem um desses trocadilhos dos mais fantásticos que o Quim Barreiros inventou, até pelo absurdo, e que é aquela coisa da sobremesa do copo de água ser ‘banana pêssego’, mas forçando a tónica para o jogo fonético resultar.

Para que quem não conheça passe a conhecer, e sobretudo para não (nos) levarmos a sério a brejeirice do Quim Barreiros, e nos divertirmos com ela, aí fica o clip com a famosa/infame (riscar o que não interessa) canção Casamento Gay.




E nada melhor do que o grande Quim Barreiros neste momento de tão aguda inspiração, para ilustrar a publicação, ontem, em Diário da República, da Lei n.º 9/2010, de 31 de Maio, que diz assim no seu artigo 1º: "A presente lei permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.". Passado o período da vacatio legis, ou seja para aí a partir da próxima segunda-feira, o Zézinho Paneleiro e o Manel das Tricas, chamem-lhes lá o que quiserem, vão mesmo poder casar em Portugal. E mai'nada.