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dennis hopper
rosas
innersmile
Porque é que gostávamos tanto do Dennis Hopper? Não era um actor extraordinário, embora tenha tido os seus momentos. Não era uma daquelas personalidades fascinantes, que nos prendem e seduzem apenas porque sim. O que é que havia no Dennis Hopper que nos faz sentir um pouco desamparados com a notícia da sua (para mais anunciada) morte?

É que o Dennis Hopper trazia para o ecrã do cinema uma ponta de loucura e de rebeldia, de liberdade e ousadia, que de certa forma nos redimia e sublimava. O Dennis Hopper era actor de um tempo em que o ecrã ainda era grande, e eu tive a sorte de ver no cinema os seus papéis mais marcantes, do Easy Rider ao Apocalipse Now, do Amigo Americano ao Blue Velvet ou ao Rumble Fish. O Dennis Hopper trazia para os filmes em que entrava um aura de culto, e mesmo os filmes mais palermas em que entrou parece que ficavam um pouco mais especiais só porque ele participava neles.

Para quem vê filmes há tantos anos, as dezenas e dezenas de participações de Dennis Hopper no cinema criaram uma espécie de cumplicidade. Não sei se era uma coisa geracional, mas houve efectivamente um tempo em que havia um actor como o Dennis Hopper. É esse tempo que hoje acabou. Ficam os filmes, é claro, diz o lugar comum. Mas ficam sobretudo esses momentos, em que o Dennis Hopper nos resgatava e fazia acreditar.