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alta velocidade
rosas
innersmile
Vi ontem, num momento de fraqueza, a entrevista que Carlos Cruz concedeu à TVI. Não me anima a mínima curiosidade em relação ao desfecho do chamado processo casa pia, sobretudo porque há muito que curto-circuitou a minha capacidade de processar informação em relação a este caso. Mas acho que ele é eloquente acerca do país que somos e da razão porque estamos nesta indecisão patriótica, sem conseguir optar por sermos uma tragédia grega ou continuarmos a ser uma ópera bufa. Além de que é irresistível olharmos com atenção a superfície do lago à espera de ver emergir qualquer coisa de interessante do seu fundo. Mas adiante.

Não consigo, por causa das razões que referi anteriormente, ter uma opinião, sequer analisar a maneira como correu a entrevista e ainda menos o peso e o alcance do que foi dito. Mas vou-me prender a um pormenor. O entrevistador, Henrique Garcia, insistiu no facto de Carlos Cruz ter feito uma viagem para o Algarve à velocidade média de 173 km por hora, para mais com a filha de 10 meses a viajar no carro. Já hoje vi referido este detalhe da entrevista, condenando o entrevistado a das duas uma: ou estava mesmo a tentar fugir à polícia, ou é um pai irresponsável por pôr em risco a vida da filha ao conduzir a tal velocidade. O visado defende-se com o argumento de que a pressa toda era porque tinha à espera uns carapaus alimados. Agora o que me faz espécie é: nunca ninguém reparou que os carros de grande potência andam todos a velocidades desenfreadas nas autoestradas portuguesas? Nunca ninguém passou pela experiência de ir nuns já de si desvairados 140 ou 150 km por hora e ser pulverizado por um Mercedes ou por um Audi BMW que faz com que a gente pareça que está parado?

É precisamente nisto que o caso Casa Pia continua a ter interesse, digamos sociológico, ou mesmo antropológico: é paradigmático desta mania que todos temos de sermos putas velhas a querer passar por puras donzelas!

E já que estamos em maré de 'faite-daivers', como dizia o outro, parece que a direita conservadora está magoada e furibunda com o Cavaco por ele ter promulgado a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Leio, no i-on-line, reacções de indignação. Gosto particularmente das de um padre jesuíta, que se não estou em erro é de Coimbra, que diz que Cavaco fica para a história como o padrinho (best man) dos homossexuais. E di-lo como se isso fosse uma coisa má, uma aberração. Ficamos a saber que os gays podem casar, mas é mau aceitar ser padrinho do casamento. Mas verdadeiramente interessante é o cardeal patriarca achar que o acto de Cavaco põe em risco a sua reeleição, que se o presidente tivesse vetado a lei tinha a reeleição assegurada. Era o cúmulo da ironia, Cavaco perder as eleições por causa das bichas. Não vou ao ponto de dizer que não seja por isso, e que se for preciso a gente vai lá votar no homem, mas lá que apetece.
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