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con-lib-dem
rosas
innersmile
Nas eleições inglesas de ontem, afinal o landslide não passou um swing de cinco por cento. Apesar de não ter maioria absoluta, tudo indica que Cameron vai ter a sua oportunidade de ouvir o Queen's Speech, através de um entendimento com os Liberais-Democratas. A propósito, foi decepcionante o resultado, muito aquém das suas aspirações e ambição, de Nick Clegg, que, apesar de tudo, vai ter uma certa recompensa nesta solução inédita na política inglesa de haver uma coligação governamental: con-lib-dem.

Seja como for, e apesar de Brown ter sido poupado à humilhação de um resultado catastrófico, e que lhe permitiu alimentar a esperança de poder ser ele a fazer a coligação com Clegg (seria o lab-lib-dem), seja como for, dizia, as eleições gerais de ontem põem oficialmente fim a treze ou catorze anos de governação labour. Talvez não seja exactamente o fim de uma era, se considerarmos que ela terminou quando Blair saiu do governo, mas é, seguramente, o princípio de outra. Já escrevi aqui que admirei muito Tony Blair, que, até à trapalhada em que se meteu por causa da guerra do golfo, Blair foi o mais entusiasmante dos políticos do meu tempo (não me estou a esquecer de ninguém, nem de Obama). Quem não conheceu a Inglaterra tristonha, conservadora (no mau sentido da palavra) e empobrecida do final dos anos Tatcher e sobretudo dos anos de John Major (o primeiro-ministro que ficou para a história por entalar a camisa interior no elástico das cuecas), não pode imaginar o que foi o boom de abertura e optimismo, de desenvolvimento e modernidade, de confiança e liberdade, dos primeiros anos de governo trabalhista, a seguir à vitória, essa sim retumbante, de Tony Blair em 1997. E francamente acho que o facto de o Labour se ter, apesar de tudo, segurado nas eleições de ontem, se deve, para além de uma dose de cautela em relação a Cameron, a um certo tributo que a memória dos eleitores britânicos ainda guardam desses primeiros anos de governação trabalhista.

Os tempos hoje são muito diferentes, para melhor, acho eu, apesar do paradoxo das dificuldades imensas e das crises aparentemente irresolúveis. David Cameron e a nova geração dos conservadores vão ter a sua oportunidade. Que merecem, pois o partido conservador fez um longo caminho durante o deserto dos anos labour, e que, suponho eu a avaliar pelos resultados, os britânicos têm interesse em ver ainda que com as devidas cautelas.


edit: «This really is a great moment in our history. On behalf of all the people in Britain, we in Barking have not just beaten but we have smashed the extreme right. The lesson from Barking to the BNP is clear: Get out and stay out, you're not wanted here and your vile politics have no place in British democracy. Pack your bags and go!»
Foi este o teor do discurso de vitória de Margaret Hodge, membro do parlamento pelo partido trabalhista e ministra da cultura e do turismo no governo de Gordon Brown, que segurou o seu lugar de deputada na circusncrição de Barking, na zona leste de Londres. E o destinatário da mensagem era Nick Griffin, o lider do BNP, o partido nacionalista britânico, que aspirava a ser eleito por esta circunscrição, e ficou em terceiro. É uma das boas notícias deste acto eleitoral (outra é o primeiro membro do parlamento eleito pelo partido verde): apesar de ter subido em termos globais, os fascistas ingleses, que conseguiram eleger representantes nas últimas eleições europeias, continuam fora do parlamento.
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