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o rosto humano
rosas
innersmile
Três histórias que apanhei na net, e que são absolutamente a não perder.

No blog do David Byrne um texto (link) que fala do Brasil, de cinema brasileiro, de Caetano Veloso, e que, a propósito de um concerto de Caetano, diz isto acerca dos seus dois últimos discos e dos seus concertos: «The music from his last two records is minimal and raw — rock with a subtext of samba. Lyrics about relationships gone bad, the US base at Guantanamo and drug addicts. Not exactly feel good stuff — but he manages inevitably to make it enjoyable and even beautiful. His pleasure in performing was infectious.» Exactamente, é isto mesmo. Mas primeira parte do post, Byrne conta-nos que foi assistir a um concerto de Florence and The Machine (cantora que participa no último disco de Byrne, Here Lies Love, e de hei-de aqui falar um dia destes), e da sua surpresa quando percebeu que na plateia havia uma rapariga que usava véu na cabeça, ou seja que deveria ser muçulmana, e que dançava e cantava as canções. Byrne dá conta da sua surpresa, e do facto de ficarem assim destruídos alguns dos preconceitos que em geral temos contra as raparigas que usam véu, e publica um pequeno clip que fez com o seu telemóvel, onde aparece a rapariga. Agora, há uma frase fantástica no texto e que lhe abre perspectivas e sentidos, ao pôr a tónica do comentário de Byrne no lugar mais inesperado: «We’ll take our optimism where we can get it.»

Um texto (link) na edição on-line do jornal Guardian (ao qual cheguei através de um link do blog O Bibliotecário de Babel) conta a história de um renomado historiador inglês, especialista na história do comunismo, que se dedicava a escrever, sob pseudónimos, comentários no site da loja inglesa da Amazon, denegrindo os livros dos seus colegas, e rivais, historiadores e elogiando os seus próprios livros. A dúvida de que seria ele o autor dos comentários começou a tomar forma, e chegou ao TLS, o suplemento literário do Times. Perante as suspeitas, o tipo reagiu com veemência, ameaçando toda a gente com acções judiciais. A seguir, e numa última tentativa de salvar a pele, culpou a mulher da autoria dos comentários, para, finalmente, assumir ser ele próprio o seu autor. Claro que podemos olhar para esta história e ver nela apenas ambição e mesquinhez. Mas é muito mais fascinante vê-la como mais exemplo da fragilidade humana, desses abismos interiores nos quais podemos sempre cair, por muito brilhante que seja o nosso intelecto.

Ainda uma história maravilhosa sobre a fragilidade humana é a que o labrax nos conta, neste post (link) do seu livejournal. Sobre a fragilidade das pessoas, mas também sobre a sua força, a sua capacidade de sobreviver, e principalmente a sua capacidade de se projectar para o futuro. Mas o aspecto que mais me tocou na história é como ela demonstra que nós somos sempre o melhor e o pior de nós prórios, como a luz e a sombra, o sublime e o sórdido, são sempre as duas faces da mesma moeda, da mesmíssima moeda. E como muitas vezes apenas conseguimos sobreviver precisamente porque o que em nós há de mais nobre caminha sempre de mão dada com o que nós há de mais mesquinho e até de mais vergonhoso.