April 24th, 2010

rosas

down and out na síria e na jordânia 5/5

A noite de quinta para sexta-feira foi passada num acampamento no deserto (enfim, um acampamento três estrelas, mas com o céu mais estrelado que eu alguma vez vi), e a manhã começou cedinho com um passeio de duas horas pelo deserto de Wadi Rum, em jipes 4x4. Foi a primeira vez que andei a passear por um deserto e foi interessante, apesar de não ser propriamente aquele tipo de deserto de dunas, que se vê nos filmes. Bem, lá que é como nos filmes isso é inegável, pois o Wadi Rum foi um dos cenários da passagem de Lawrence da Arábia por esta região e muitas das cenas do filme de David Lean foram aqui filmadas. Para além de ter bebido um muito literal chá no deserto (precisamente ao lado de uma gravura esculpida da pedra retratando o bem e mal amado T.E.), gostei particularmente de ver os desenhos feitos na rocha, supostamente há milhares de ano. A seguir ao deserto, o mar. Fomos até Aqaba dar um passeio de barco pelo Mar Vermelho. Tomei uma bela de uma banhoca para aí de meia hora, fiz snorkling (eufemismo para a quantidade de água que me entrava pelo tubo do respirador), enfim, uma delícia de bem-estar no meio de tanta má disposição física.









Sábado, dia 10, último dia da viagem. De manhã visitámos a cidadela de Amman e o extraordinário museu arqueológico. Fiquei louco com a riqueza da colecção do museu, com a delicadeza das peças, com a sua perfeição. Vi coisas que só conhecia em gravura, dos livros de história, a começar pelos martelos de sílex. Da cidadela tem-se uma vista muito bonita para a parte da cidade onde está o imponente teatro romano, que tem a particularidade de ter um odeon, ao lado, e de ficar junto do fórum. Saímos da capital para ir visitar Jerash, outra ruína importantíssima do império romano do oriente. Infelizmente estava-me a sentir tão mal que apenas cheguei ao monumental arco de Adriano e voltei para trás. Fui ao mercado, comprei o meu quadro do beduíno, um livro sobre a cidade, e vim para o autocarro. Ao fim do dia fomos ainda ao Mar Morto, para experimentar. Não achei piada nenhuma, sobretudo depois da delícia que foi o Mar Vermelho. Ok, há aquela coisa da impulsão, mas eu adoro flutuar na água, não propriamente por cima dela. Seja como for, foi uma experiência interessante, sempre se pode dizer que já se esteve no ponto mais baixo da terra, mais de quatrocentos metros abaixo do nível do mar, e foi uma maneira engraçada de pôr termo à viagem. Engraçada e simbólica, pois por esta altura, eu já me sentia mais morto do que o próprio mar.