April 22nd, 2010

rosas

down and out na síria e na jordânia 4/5

O dia de quinta-feira, dia 8, foi todo passado em Petra. Trata-se de uma das maravilhas do mundo, património da humanidade e, mais importante, cenário da Última Cruzada de Indiana Jones. Eu confesso que nesta fase andava tão derreado e enfraquecido, que nunca me senti tocado pelo espírito indómito dos Jones’s. Estabelecida seis séculos antes de Cristo como a cidade capital dos Nabateus, Petra impressiona, primeiro, pelo cenário natural, uma cidade toda construída num vale, onde se chega por um desfiladeiro com perto de dois quilómetros de comprimento, o Siq, por vezes pouco mais largo do que amplitude dos meus braços abertos, e cujas paredes, por causa de séculos de erosão, têm a estranha configuração de véus diáfanos que cobrem a superfície de todas as coisas. A primeira visão do Tesouro, o principal e mais imponente dos edifícios, entrevista ainda das sinuosas paredes do desfiladeiro, é clássica, e parece que estamos, ao mesmo tempo, a viver um sonho e a reviver um filme que já conhecemos. Depois, a cor, os rosas ferrosos em muitas tonalidades e matizes. Os edifícios esculpidos na própria pedra, que dão à cidade um aspecto de casulo, de colmeia. Percorri a pé, a descer, todo o vale até ao fundo, onde já predominam elementos da presença greco-romana, mas já não subi os duzentos degraus até ao mosteiro, e o regresso fiz, logo que pude, de carroça. Como fui dos primeiros a chegar ao centro de visitantes, deitei-me num muro de cimento, pus a mochila a servir de almofada e bati uma sorna valente no meio da maior algazarra que se possa imaginar.