April 21st, 2010

rosas

down and out na síria e na jordânia 3/5

Na terça-feira, dia 6, foi dia de cruzar a fronteira da Síria para a Jordânia. Mas antes de sair do país houve ainda tempo para parar em Bosra para visitar o mais imponente teatro romano que alguma vez sonhei ver. Começa por impressionar porque o teatro está ‘escondido’ dentro de um forte árabe, do século XIII. Atravessada a grossa muralha, abre-se um teatro magnífico, enorme, negro por causa do basalto, e com uma bancada vertiginosa, que albergava cerca de quinze mil pessoas. É um dos teatros romanos mais bem preservados do mundo, a cena está praticamente intacta, reconhecem-se ainda os lugares dos camarins, tem uma acústica impressionante. Como não foi construído, ao contrário do que era habitual, num declive natural, estão à vista as engenhosas soluções dos arquitectos romanos para conseguirem fazer subir e suportar as bancadas. Eu sou um bocado fascinado pelo império romano, e este teatro, como de um modo geral toda esta viagem, foi um mergulho delicioso, mais do que na história, na cultura e no quotidiano do mundo no tempo de Roma.





Depois de atravessar, sem grandes problemas mas com grandes perdas de tempo, a fronteira, já a caminho de Ammam parámos em Umm Qays, que conjuga ruínas de duas cidade, uma romana e outra otomana, do tempo da ocupação turca. Além disso esta cidade é um miradouro natural, de onde se observam três países, além da Jordânia, Israel e a Síria. Vê-se o mar da Galileia (claro que passei o resto da tarde a cantar ‘põe a mão na mão do teu senhor da Galileia’) e os Montes Golan. Ou seja, acaba por não ser a Síria, porque os Golan estão ocupados por Israel. Percebe-se ainda, visto daqui, porque é que este local é tão estratégico. Chama-se ‘água’ o bem mais precioso do deserto.



Dormimos em Amman e cedo, na manhã de 7, arrancámos para a zona do Mar Morto. Parámos em Madaba, uma vilazinha muito bonita, que foi o centro da arte bizantina do mosaico. Fui espreitar a igreja de São Jorge, cheia de ícones bizantinos lindíssimos, e que tem no chão junto ao altar, um mapa feito em mosaico de toda a terra santa. Gostei muito desta vila e fartei-me de fazer compras. Numa das lojas onde entrei, a dona, muito simpaticamente, ofereceu-me um café que estava a acabar de fazer. Depois de madaba subimos ao Monte Nebo, que é um dos lugares da peregrinação à terra santa, pois foi o lugar onde morreu Moisés. Tenho de confessar que o turismo religioso não me entusiasma por aí além, e o que mais me comoveu nesta subida ao Monte Nebo foi mesmo a vista soberba que se avista de todo o extremo norte do Mar Morto e do Rio Jordão. Mais para sul parámos em Karak, para almoçar e para visitar mais um castelo medieval, do tempo das cruzadas. Fomos dormir a Petra.