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down and out na síria e na jordânia 1/5
rosas
innersmile
Quando estava a fazer a mala para ir passar uns dias de férias à Síria e à Jordânia, pus no estojo da barba dois blisters, um com o betabloqueante que tomo todos os dias, e outro com Imodium; o Imodium é mais ou menos como dizia o slogan do American Express: dont’t leave home without it. Pois bem, quando regressei, ao fim de dez dias, trazia um saco plástico daqueles da farmácia cheio de medicamentos, desde anti-ácidos e antibióticos a anti-heméticos e tranquilizantes. Dir-se-ia que fui ao Médio Oriente à farmácia. Claro, agora que o tempo está a passar, e o tempo é o melhor dos medicamentos com a vantagem de não custar a engolir, a coisa não parece tão má, mas custaram mesmo a passar aqueles dias, e houve alturas em que eu tinha dado tudo (mesmo partes do meu corpo, apesar de não estarem nas melhores condições) se houvesse um táxi que me pusesse em casa em trinta minutos.

E no entanto as coisas começaram por correr muito bem. Tivemos um primeiro dia, 2 de Abril, em Damasco que foi muito bom. Visitámos o museu nacional de Damasco e depois passámos o resto do dia dentro da cidade velha, que cruzámos de uma a outra ponta, entrando pelo bairro muçulmano e saindo pelo bairro cristão. Apesar de a maior parte das lojas estarem fechadas por ser sexta-feira, o dia santo para os muçulmanos, é sempre uma aventura andar a passear pelos souks, que são sítios quentes, acolhedores, e, claro, labirínticos. Se bem que eu ache que não é preciso muito para um tipo não se perder, basta um mínimo de sentido de orientação. Agora essa sensação, para quem não conhece, de que com facilidade podemos ficar completamente perdidos é uma das coisas que tornam o souk fascinante.









Ainda na cidade velha visitámos a grande mesquita de Damasco, com três minaretes, um pátio grandioso e uma sala de orações onde se destaca o túmulo de São João Baptista. Eu adoro mesquitas, sobretudo aquela coisa de ter de se andar sem sapatos, dos tapetes, de um certo despojamento que existe, mesmo numa mesquita luxuosa como esta. Ao lado da mesquita está o mausoléu de Saladino, o vencedor das cruzadas, onde há dois túmulos. O oficial, que foi oferecido pelo imperador Guilherme II, e o original, bastante mais modesto, onde efectivamente estão os restos mortais. Ainda na cidade velha visitámos o palácio Azem, uma antiga residência otomana, onde funciona uma espécie de museu etnográfico. Já no bairro cristão, onde almocei e bebi um sumo fantástico de limão e menta, visitámos a capela de São Ananias, que tem a particularidade de ser na cave. Esta capela, como todo este bairro, está muito ligada à passagem de São Paulo, um dos primeiros apóstolos do cristianismo, pela cidade de Damasco. Junto à muralha, perto da chamada ‘porta do sol, fica a igreja de São Paulo, marcando o local onde o santo terá fugido dos soldados romanos, escondido dentro de uma cesta. Ao fim da tarde subimos ainda ao monte Qassioun, de onde se tem uma vista panorâmica sobre toda a cidade de Damasco.









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