April 14th, 2010

rosas

o beduíno

Quando estive em Viena, há dois anos, comprei num dos museus que visitei um poster com o cartaz de uma exposição, que reproduzia um famoso quadro de G. Klimt, Morte e Vida. Emoldurei o cartaz e encostei-o a uma das paredes da sala (não tenho nada pendurado nas paredes, prefiro encostar, no chão). Gosto do efeito do dourado do cartaz na sala, sobretudo no Inverno quando o sol entra pela janela adentro e vai bater lá ao fundo, precisamente na parede onde está o poster. Gosto da presença curva e sombria daquela morte encaveirada, e gosto da explosão de cores e vida, por contraste. Aqui há uns tempos comecei a encasquetar que a minha vida começou a ficar mais complicada desde que trouxe o poster cá para casa, e que tanta coisa a andar para trás e a correr mal poderia muito bem ser resultado da presença tão literal da morte na minha sala. Apesar de ser um tipo muito racional e tudo, a verdade é que sou bastante supersticioso e razoavelmente cobardolas. Pelo sim pelo não, trouxe agora do Médio Oriente um beduíno que pus a tomar conta da estúpida da morte, mesmo à frente, para a impedir de me andar a dar cabo da existência. Vou dar um tempo a ver se resulta, antes de tomar medidas mais radicais, mas parece-me bem que sim, que ao fim de apenas dois dias o estratagema já começou a dar resultados positivos.