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jp simões
rosas
innersmile
Fui na sexta-feira à noite ao Salão Brazil para ouvir o JP Simões, num concerto a solo, que serve mais ou menos de apresentação do disco Boato. A personagem é conhecida e não vai mudando muito, ali entre o crooner blasé facção fossanova e o poeta maudit, uivando em vão, como diz uma das cantigas, com um humor que , mais do que cínico, me parece desamparado. Foi um belo concerto, ou pelo menos foram belas as canções (dos Belle Chase, de 1970, do Quinteto Tati, da Ópera do Falhado, e tal), os poemas do JP são prodígios de humor e síntese, sempre próximos da realidade para fazerem sentido, mas com a distância suficiente para perderem candura. A voz estava fraquinha, mas a falar nem se nota e, como sabe quem conhece o JP em concerto, as conversas entre canções são sempre tão interessantes quanto as chansons elas próprias.

Agora insuportável esteve o próprio Salão Brazil. A mim não me incomoda, até acho graça,o cantor fumar um cigarrinho e na assistência haver um ou outro fuminho. Agora uma sala que não foi feita para comportar tanta gente a levar com tanto fumo de cigarro, torna a atmosfera verdadeiramente irrespirável. No mau sentido. Mas pior do que isso foi o pessoal não se calar durante o concerto todo. Mas uma chinfrineira incrível. Houve momentos em que não se ouvia o cantor. Este manteve-se sempre muito cool et pour cause. Dir-se-ia, até, que por vezes parecia que ele próprio tinha encomendado o barulho, para manter certa aura de subversão, tipo “aquele concerto em Coimbra em que não deixaram o tipo fazer-se ouvir”. Mas apesar do fair play, JP perdeu, pelo menos numa ocasião a compostura e chamou cabrões aos barulhentos. O público aplaudiu, curiosamente os mesmos tipos que não se calaram um bocadinho.

Fiquei, para falar com franqueza, com pouquíssima vontade de voltar ao Salão Brazil. E a desejar que para a próxima vez que voltar à terrinha, o JP Simões escolha um sítio adequado para apresentar a sua música.
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