March 9th, 2010

ghostrain

explosões de relâmpagos

«Para ocidente, na linha do horizonte, o céu começou a brilhar em lentas explosões de relâmpagos». Leio esta frase, no livro de Paul Theroux, Viagem a África, e imediatamente me lembro de um final de tarde, não em África mas no sudoeste asiático, igualmente numa zona equatorial, onde as tempestades não têm paralelo. Em nenhuma outra latitude as tempestades são tão súbitas e magníficas, tão fulminantes e breves. Eu estava sentado na varanda do quarto do hotel, rodeado de insectos apesar da luz apagada, de frente para o estreito de Malaca, e a assistir ao aproximar, lento e inexorável, da tempestade, vinda de norte, do mar de Andamão. Era já de noite quando a tempestade passou à minha frente, e como estava muito longe da costa, os relâmpagos explodiam em silêncio, mas a sua luz fulgurante iluminando por momentos as nuvens escuras e carregadas.