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antónio pinho vargas
rosas
innersmile
António Pinho Vargas ontem no Gil Vicente, para apresentar os seus dois mais recentes discos, Solo e Solo II, uma revisitação em piano solo aos temas que fizeram a carreira jazzistica do músico. Que concerto lindíssimo, Pinho Vargas é um excelente compositor, e o seu jazz muito melódico ganha uma espécie de lirismo estóico nesta apresentação reduzida à essência do piano. Não conheço o segundo volume de Solo, mas o primeiro foi um disco que ouvi muitíssimo, quando foi editado, há perto de dois anos. E acho que ouvir estes temas ao vivo ainda os torna mais bonitos do que já eram na gravação.

Delirei com o June, que é o meu tema preferido do Pinho Vargas. Fui à procura nos meus diários antigos e encontrei uma referência a um concerto a que assisti, igualmente no Gil Vicente, em Junho de 1997, com o Pinho Vargas, a Maria João e ainda o saxofonista José Nogueira. Guardo desse concerto a lembrança quase intocável de uma beleza pura, uma emoção em azul de um deslumbre a derramar-se do palco para a plateia, em cuja primeira fila eu estava sentado. Mas já não me recordo em particular se ouvi June nesse concerto, mas é provável que sim. Mas ouvi-o muitas vezes num cd, As Mãos, que compila temas da discografia jazz de Pinho Vargas, e onde June tem a participação vocal da Maria João. A verdade é que não consigo ouvir esse tema sem escutar mentalmente a voz da Maria João, e isso tornou a acontecer ontem no concerto. Fico sempre muito contente e recompensado quando estou a assisitir a um concerto ao vivo, plateia cheia como ontem, e de repente a experiência de ouvir uma música é tão íntima e intensa que verdadeiramente o mundo à nossa volta desaparece, e ficamos sozinhos, sem tempo nem lugar, pendurados apenas no momento e no sopro de emoções que nos ligam à vida.
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