March 1st, 2010

rosas

a bela adormecida

"Toda a gente sabe como as grandes constipações / Alteram todo o sistema do universo, / Zangam-nos contra a vida, / E fazem espirrar até à metafísica." Mas eu, em vez de tomar "verdade e aspirina", como o Álvaro de Campos, decidi, no Sábado, levar a minha "constipação física" a banhos de piscina. E à noite levei-a ao ballet, a ver A Bela Adormecida, pelo Moscow Ballet La Classique.

Não sou grande fã do ballet clássico, quer dizer gosto mas não me excita. Mas acho que é mais ou menos obrigatório rever de vez em quando estes bailados, sobretudo as coreografias fixadas por Petipa, como era o caso, para nos lembrarmos não só do que está na origem, mas sobretudo do que é essencial. Os bailarinos eram, como se esperaria, competentes, mas claro, nestas companhias de itinerância, muito desgastantes, não se esperam ver primeiras figuras. Mas mesmo assim, aquelas duas horas, quase três, de palco e luz e música (e que música, Tchaikovsky) e figurinos e cor e movimento e corpos e ritmo e espaço, são suficientes para nos limpar as congestões da alma.

Agora, perguntaram-me porque razão no ballet clássico andam todos em bicos de pés. A resposta mázinha é que é para não acordar a plateia. A outra resposta é que é mesmo porque todos querem chegar a primas-ballerinas.