February 19th, 2010

rosas

jornal nacional

Há um ponto em que deixa de fazer sentido discutir se as escutas são ou não ilegais. Nem sequer se constitui ilegalidade revelá-las. Ainda que seja. O que é deplorável nem é tanto o mundo de influências e trocas de favores que constituem as relações entre a política, os negócios e os media. Suponho que isto seja assim aqui e em todos os países onde as regras do jogo sejam as da democracia, em que a sobrevivência dos players depende da habilidade com que se joga (ao contrário dos totalitarismos, em que o nepotismo faz parte da essência do regime).

O que é deplorável é mesmo a falta de uma sociedade civil forte, que reaja, que seja capaz impôr e de se impôr. Os media deviam fazer parte da sociedade civil, mas, ao invés, também são players, e por isso e só por isso, talvez tenham uma quota-parte de responsabilidade um bocadinho maior. Abandonada à sua sorte, a sociedade civil é apática, e só está à espera que o telejornal acabe depressa, para passar às novelas, aos concursos e à bola.

Agora o que é mesmo agoniante é a falta de dignidade dos players, e quanto mais insignificantes, pior. Em qualquer país civilizado, quando um tipo destes é apanhado e desmascarado só tem duas alternativas: ou desaparece para sempre coberto de ignomínia e vergonha, ou se suicida. Por cá, sacode-se a poeira do fato, vai-se lá fora fumar um cigarro e volta-se depressa para o chavascal.