February 1st, 2010

rosas

glee

Entre as inúmeras razões porque eu estou totalmente hooked on Glee, as principais são: a segunda, é o Kurt Hummel, que é irresistível de tão fantástico (ou vice-versa); a terceira é a Sue Sylvester, a quem a fabulosa Jane Lynch torna na vilã mais comovente alguma vez vista numa série de tv. Mas a primeira razão é a escolha irrepreensível, aliás p-e-r-f-e-i-t-a, das canções que são recriadas em cada episódio. São sempre escolhas que primeiro nos surpreendem e depois parecem incontornáveis. São canções que se ajustam à narrativa e além disso fazem-na progredir e andar para a frente. E o que é mais admirável é que são canções populares, do reportório da pop e do rock ou da música ligeira pura e simples, nomeadamente dos musicais.

O episódio de ontem foi um exemplo típico disto que tenho estado a dizer. Um dos temas do episódio foi o Artie, o puto da cadeira de rodas, e as duas canções que marcaram pontos distintos da narrativa foram a Dancing With Myself, do Billy Idol, e a Proud Mary, dos Credence Cleewater Revivel. É ou não genial esta escolha? No episódio da semana passada os dramas amorosos da Ema foram marcados pela I Could Have Dance All Night, do musical My Fair Lady e que é uma das minhas canções preferidas (se eu ainda não tivesse percebido a razão porque amo a Glee, a escolha desta canção tinha resolvido o assunto). E ainda no episódio da semana passada o palerma do Noah decidiu armar em judeu bonzinho e cantou a Sweet Caroline, do Neil Diamond, dedicado à Rachel. Quer dizer, como é que alguém se lembra de ir buscar a Sweet Caroline, caraças?! E é como eu dizia há pouco, um tipo é completamente apanhado de surpresa quando começa a ouvir a canção e depois, caramba, é a canção perfeita para acentuar este passo da narrativa, não podia ser outra.

Eu que venero a canção popular, que acho que é a forma de expressão artística por excelência do século XX (a deste ainda estamos para ver qual vai ser), e que gosto de cultivar um certo enciclopedismo acerca do assunto, dava tudo para fazer parte do grupo de maduros que estão fechados numa sala qualquer a ler os guiões da série e a fazer brainstormings acerca dos números musicais adequados a cada episódio. A sério, descobri com esta idade que estalar os dedos a propósito de uma canção que de repente nos veio à ideia e que cabe justinha num momento da Glee, é mesmo o meu dream job.