January 10th, 2010

rosas

bright star

Que bom que é voltar a ver a Jane Campion a fazer filmes estimulantes e com cunho pessoal. Bright Star é a história de uma paixão que permaneceu escondida durante muitos anos, todos aqueles que durou a vida de Fanny Brawne, e durante os quais ela sempre preservou o namoro e o noivado que a teve ligada ao poeta John Keats.

O que primeiro e mais impressiona no filme é o privilégio da palavra. São os poemas de Keats, é claro, mas são os diálogos, a escolha das palavras, e o modo como elas são ditas. Não é que seja propriamente um filme de texto, mas toda narrativa repousa nas palavras, não tanto que contam o filme, mas que lhe dão corpo.

Depois é a simplicidade cuidada dos planos, construídos de forma rigorosa e quase despojada, mas ao mesmo tempo cheios de subtileza e até de um certo esplendor visual, que é muito evidente, por exemplo, nos figurinos de Fanny, que são, de resto, um dos leit-motiv da história.

Finalmente é um filme que ama as personagens, trata-as sempre bem, mesmo em relação ao Mr. Brown, que funciona um pouco como o símbolo de tudo o que tornava a paixão entre John e Fanny uma impossibilidade social. Não é que as personagens sejam todas muito boazinhas, mas todas elas trazem uma honestidade e uma verdade que chegam a ser comoventes.

Como comecei por dizer, o filme tem um cunho pessoal, quase íntimo, como se a realizadora tivesse um enorme carinho por esta história. É, apesar dos meios de produção, um filme 'pequeno', e para mais foi estreado de uma maneira muito discreta. Espero que isso não faça com que passe despercebido: era uma pena perder uma história de amor tão romântica e bonita, e sobretudo contada desta maneira.