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Nunca tinha lido nada do David Sedaris, apesar de já ouvir falar nele há muito tempo e de ter curiosidade em ler os seus livros. Sedaris cultiva um estilo que não é muito habitual em Portugal, um tipo de ensaios curtos, de carácter auto-biográfico, com um humor muito auto-dirigido. É, de certa forma, o correspondente literário da stand-up comedy. Ainda que com maior acento no aspecto memorialístico, é o estilo de livros do Augusten Burroughs, um dos meus autores preferidos. Além disso, Burroughs partilha com Sedaris outra característica, que é serem ambos homossexuais, esse facto fazer parte dos seus livros embora não constituindo o seu tema principal.

Sedaris tem, que eu saiba, dois livros publicados em Portugal, Diário de Um Fumador, editado recentemente, e Eu Falar Bonito Um Dia, que já foi editado há uns tempitos pela Fenda. É este volume que eu estou a ler neste momento, e devo dizer que há trechos tão divertidos que apetece ter alguém ao lado para poder ler em voz alta. Eu lembro-me de ter lido uma vez que a gargalhada é um fenómeno colectivo, que apenas soltamos gargalhadas quando há outras pessoas para as ouvirem, enquanto o sorriso é o contraponto silencioso e, por isso, solitário; sorrimos para nós próprios, soltamos gargalhadas para os outros. Bem, então o livro do Sedaris contraria esta teoria, pois várias vezes tenho de soltar gargalhadas ao ler o livro. Mas, claro, dizer isto não significa que o humor do Sedaris seja óbvio e muito menos imediato. É subtil, tem uma ironia fininha, e uma propensão para o absurdo que lhe dá um toque de subversão.

Eu Falar Bonito Um Dia colige perto de trinta ensaios, divididos em duas partes. O primeiro grupo, One, são textos essencialmente sobre a infância e a família do autor, e ainda sobre as suas diversas profissões. Deux, a segunda parte, abraça a experiência francesa do autor, que viveu em França durante algum tempo com o namorado.