December 13th, 2009

rosas

ágora

Há filmes assim, que nos batem na fraqueza, um tipo está a vê-los e está regaladinho de todo, a gostar de tudo, da história, da realização, das personagens, dos actores. Nem precisa de ser um grande filme, uma obra-prima, basta ser um filme feito com honestidade, com uma franqueza, uma straight-forwardness, que vemos quase como se conseguimos perceber o que estava a passar pela cabeça dos seus autores, o que é que eles nos queriam dizer. É tudo isto com Agora, o mais recente filme de Alejandro Amenábar, que nos conta a história ficcionada de Hipátia, uma mulher de verdade, filósofa, matemática e astrónoma que viveu em Alexandria, no século IV da nossa era. O filme tem pormenores que só resultam quando acreditamos neles, quando aceitamos a bondade com que nos são transmitidos, como aquelas tomadas do planeta visto do céu, ou do firmamento estrelado. Como se vê, estou mesmo encantado com o filme, quando acabou apeteceu-me vê-lo outra vez. E para isto muito contribuiu a Rachel Weisz, que passa o filme todo como se fosse iluminada por dentro.

Agora, acho que também contribuiu para eu gostar do filme o facto de já ter estado em Alexandria, e apesar de ter sido apenas por algumas horas, ter ficado um bocado apaixonado pela cidade. Ok, eu sei que não tem nada a ver uma coisa com a outra, não faz sentido um tipo gostar de um filme por se passar na antiguidade de uma cidade onde já esteve, ou comover-se a ver a (enfim, uma visão da) Biblioteca de Alexandria por se lembrar que já esteve na actual biblioteca que foi construída em Alexandria, sob os auspícios da Unesco, para homenagear a cidade e o seu papel de centro da cultura na antiguidade. Eu sei que não faz sentido, mas estas coisas contam, não é?