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contra naturas
rosas
innersmile


Tenho lidas pouco mais de cem das quinhentas e muitas páginas de Contra Natura, da autoria do espanhol Álvaro Pombo (uma edição belíssima da Minotauro, um selo das Edições 70). O romance segue em close reading as vidas afectiva, sentimental e sexual de quatro homossexuais e o aspecto não é lá muito famoso. Em Espanha o livro causou polémica entre a comunidade gay por traçar um retrato demasiado desencantado das relações amorosas entre os homossexuais, numa época em que o reconhecimento de casamento e a promoção de um certo estilo de vida (a Chueca, a pink pound, a cultura club) parecem garantir a felicidade emocional.

Uma das suas caracteristicas é uma certa crueza de linguagem, nomeadamente no que se refere ao sexo. Tendo em atenção que Pombo é membro da Real Academia Espanhola, poeta e novelista laureado, com intervenção política activa, não deixa de ser curioso esse desbragamento literário, sobretudo se comparado com o "parece mal" português.

O livro é muito denso, muito psicológico, com um plano acentuadamente político, mas é igualmente divertido e atravessado por uma ironia finíssima e, como se compreende até pela polémica que causou, implacável. Digamos que até agora o livro me entediou, interessou e divertiu em partes mais ou menos iguais. Mas não sei se vou ter pedalada para o levar até ao fim.