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julie & julia
rosas
innersmile
Ali na passagem dos anos 80 para os anos 90, a Nora Ephron escreveu e realizou comédias românticas que iriam marcar, pelo menos durante algum tempo, o género. Primeiro foi a argumentista de When Harry Met Sally (com realização do Rob Reiner), e depois escreveu e realizou Sleepless In Seattle e, mais tarde, You Got Mail. Para além de marcarem o género, com histórias urbanas e sofisticadas e diálogos vivos e imaginativos, estes filmes iriam definir o essencial da carreira da actriz Meg Ryan, que raramente voltou a ser tão luminosa como neles.

Agora a Nora Ephron realizou mais uma comédia, Julie & Julia, que adapta livros baseados em histórias verdadeiras de duas mulheres que viveram em épocas distintas mas que tinham a uni-las o facto de ambas terem utilizado a cozinha e a gastronomia como formas de dar sentido às suas vidas. O que não deixa de ser um aspecto curioso, assim uma espécie de feminismo ‘a contrario’.

Apesar de ser um nadinha comprido demais (o valor narrativo da elipse, como recurso por excelência do cinema, vai-se perdendo), o filme é elegante, leve, sofisticado, e muito divertido. Além disso faz-nos ter vontade de correr para a cozinha mais próxima e começar a descobrir os encantos da manteiga e dos ovos.

Mas aquilo que torna o filme uma delicia, é a dupla de actrizes que lhe dão corpo: a Amy Adams (que é a Meg Ryan de serviço, versão anos 2000) e sobretudo a Meryl Streep. É um bocado inacreditável como a Meryl Streep ainda nos consegue surpreender de filme para filme, como nos encanta como se fosse a primeira vez que a vimos, como é sempre uma actriz que nos deixa numa quase euforia só de a ver trabalhar, de ver a maneira como ela habita as personagens, como lhes dá alma e sopro. E se sempre foi uma actriz dramática excepcional, a sua mais recente participação em filmes de comédia têm mostrado como ela é igualmente genial neste género, sobretudo porque consegue sempre transmitir a ideia de que se está a divertir imenso, e não há nada mais contagioso no humor do que vermos que o comediante se está verdadeiramente a divertir.
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